Edição nº2493 22.09 Ver edições anteriores

Eleições suspeitas

Um ano depois da eleição dos sindicatos dos Professores (Sinpro) e dos Bancários, em Brasília, dois mesários ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) resolveram fazer delação em um cartório que coloca em suspeição a credibilidade do pleito. Moisés Cirilo e Tiago Claudino relatam que foram contratados por dirigentes da CUT para fraudar o processo eleitoral das duas entidades e impedir a vitória da oposição. O serviço consistiu em sumir com urnas e incluir cédulas falsas nelas. Afirmam ainda que não coletaram votos em órgãos com mais eleitores do adversário. A falcatrua extrapolou os limites do Distrito Federal. Moisés afirma ter aplicado o mesmo método no pleito do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados (SINDPD), no Rio de Janeiro, naquele ano.

Quinhentinho

Moisés Cirilo e Tiago Claudino afirmam que foram contratados por Roberto Miguel e Aílton Jardim, ambos dirigentes da CUT do Distrito Federal. Eles afirmaram que receberam diárias de R$ 100. Quando o serviço foi concluído, ganharam um adicional de R$ 500. “Roberto Miguel disse: ‘parabéns, garoto, pelo trabalho”’, relatou Moisés na ata notarial registrada em cartório.

Sei de nada

A assessoria de imprensa da CUT admitiu que Roberto Miguel é dirigente da entidade. Sobre as denúncias, o departamento se limitou a informar que não tem conhecimento. Ao ser questionada se haveria alguma investigação interna para apurar a informação da coluna, a assessoria explicou que não pretende abrir nenhum processo investigatório.

Rápidas

* Seguindo a nova orientação do Supremo, a outra ação penal contra o governador Marconi Perillo (PSDB) volta a andar. A APN 670 trata de crimes eleitorais dele e do ex-governador Alcides Rodrigues (PP) na campanha de 2006.

* Mas o ministro do STJ Herman Benjamin pediu que o caso seja distribuído para outro colega relatá-lo por questão de foro íntimo. Herman disse a interlocutores que descobriu que um amigo advogado iria entrar no caso e, agora que o processo vai andar, preferiu se antecipar.

* A criação do aplicativo de celular SAC MPF, para receber manifestações da sociedade à Ouvidoria do Ministério Público, fez pipocar as queixas no ano das eleições municipais. Houve 116 mil manifestações, das quais 68 mil (59%) eram denúncias.

* Esse tipo de informação subiu 79% em relação a 2015, quando houve apenas 38 mil denúncias. Até março, 18.300 celulares baixaram o aplicativo, segundo relatório da coordenadora do projeto, procuradora Lívia Tinoco.

Currículo

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Adriano Machado

Não foi só o presidente Michel Temer que suspendeu a agenda de compromissos na última quinta-feira 18 para organizar as ideias e ações após vazamento da apocalíptica delação dos irmãos Batista, da JBS. A maioria dos Ministérios também parou. Aturdidos, ministros adiaram reuniões sobre projetos de suas pastas. Muitos funcionários que ocupam cargos de confiança já começaram a procurar um novo emprego.

Retrato falado

“O TJ da Bahia pode ajudar a dar um fim na era de ocultação de patrimônio e violação de contratos”
“O TJ da Bahia pode ajudar a dar um fim na era de ocultação de patrimônio e violação de contratos” (Crédito:Divulgação)

Nessa terça 23, o Tribunal de Justiça da Bahia vai julgar recurso da Claro, condenada em primeira instância a pagar R$ 140 milhões em indenizações para ex-parceira Nexcom. Elas romperam contrato e a Claro pagou, pelo material promocional estocado mais multa, um total de R$ 7 milhões. Após receber a rescisão, a Nexcom voltou à Justiça. O juiz analisou e disse que faria o saneamento do processo, o que não aconteceu. E estabeleceu indenização 20 vezes maior.

Malafaia escapando

O advogado Jader Alberto Pazinato, que deu cheque de R$ 100 mil para Silas Malafaia, negocia colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República na Operação Timóteo. Ele se oferece para prestar informações contra funcionários do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e três conselheiros do Tribunal de Contas do Pará, motivo pelo qual o trato terá que ser homologado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sobre Malafaia, ele não diz nada. O motivo é que o dinheiro era limpo e, portanto, o pastor não tinha que desconfiar de lavagem alguma, sustentam interlocutores do advogado.

Toma lá dá cá

Rogerio Rosso (psd-df), deputado federal
Rogerio Rosso (psd-df), deputado federal (Crédito:Valter Campanato/Agência Brasil)

O PSD, seu partido, está confortável em se manter no governo de Michel Temer?
A situação é muito delicada e exige responsabilidade, equilíbrio e serenidade. Porém, é preciso agir com firmeza.

O que significa agir com firmeza? O PSD vai desembarcar da base do governo?
Significa que vamos ter que nos posicionar. Mas, por enquanto, o presidente do partido (ministro Gilberto Kassab) ainda está ouvindo lideranças e os membros da bancada para tomar uma decisão. O PSD trabalha pelo Brasil, não trabalha para governo em razão de cargos.

Para o Brasil, é melhor o presidente Michel Temer se manter ou sair da Presidência?
As nossas instituições nunca foram tão testadas como ultimamente e todos têm realizado seu papel. A economia estava dando sinais de recuperação e um processo de impeachment paralisa os avanços econômicos e o governo. Mas a Constituição tem de ser cumprida.

Caixa…

Instituições financeiras como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Bradesco se uniram e foram procurar o Ministério da Justiça. Querem ajuda para frear os ataques a explosões de caixas eletrônicos. Além de prejuízos com a perda de dinheiro dentro das máquinas, centenas de agências bancárias acabam sendo destruídas no País.

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Divulgação

…eletrônico

As instituições veem como essencial o trabalho do Ministério da Justiça, de Osmar Serraglio, de priorizar a integração de informações de inteligência. Porque, a falta de comunicação das polícias estaduais, federais e de outras forças de investigação acabam beneficiando as quadrilhas que migram de um estado para outro cometendo crimes.

Niemeyer chora

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Mateus Bonomi/AGIF

Além de fantasmas, Michel Temer desistiu de morar no Palácio do Alvorada porque lá era “um horror”. A parte de cima junta com a parte de baixo, explica ele. “Tem 8, 10 quartos, tem cozinha e uma sala no meio”. Ele e a mulher, Marcela, não conseguiam dormir. O relato foi gravado pelo delator da JBS.


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