Assim como a cantora Adele disse em entrevista que não faz música para adolescentes do TikTok, existe uma lacuna no Brasil por artistas que pensem no público adulto, seus amores vividos e suas dificuldades diárias. Depois de encerrar as atividades com a banda Skank, o tecladista Henrique Portugal se prepara para lançar o EP solo “Impossível”, abordando os afetos de uma camada da sociedade pouco assistida pela música brasileira atual.

O projeto, que chega em todas as plataformas de música no dia 19 de maio, ainda conta com a participação de Frejat, Marcos Valle e Marcelo Tofani.

A faixa que dá nome ao EP é o fio condutor dessa vida adulta descrita por Henrique. “Impossível” traduz o sentimento diante das oportunidades que aparecem no dia-a-dia para continuarmos acreditando nos nossos sonhos, apesar das dificuldades. Como ele canta: “E quando o sol aparecer / O que é impossível deixa de ser”.

E nessa busca por propósito de uma geração que sente diariamente na pele as mudanças da modernidade, o amor parece ser a coisa mais simples que desejam – como ele descreve nas faixas “Maior que o Mar” e “Paixão” (música de Kledir Ramil da dupla Kleiton e Kledir), com versos “não sou galã, não sei dançar, só sei pensar e te querer” e “ser feliz é tudo que se quer. Ah!, esse maldito fecho ecler”.

A simplicidade do amor chega em seu átomo indivisível na canção “Laiaraiá”, em que Henrique interpreta com Marcos Valle e os dois concluem que, para falar de amor, é mais fácil recorrer à melodia do que às palavras: “Algumas palavras são / Feito um monte de pedras na estrada entre nós / Em que a gente tropeça na pressa do amor / Eu só peço que agora nos deixem a sós / Sério, me deixa tentar de novo / Na melodia é que eu me resolvo”

Mas os versos cinematográficos do artista não retratam só o amor. A tristeza também aparece na canção “A Chuva” (composta por Henrique, Frejat e Mauro Santa Cecília), em que Portugal e Frejat descrevem sobre a sensação de lavar a alma com a chuva. Já em “Sonhei Com Você”, Portugal e Marcelo Tofani praticamente escreveram sobre a saudade como uma crônica: “hoje senti o sabor da sua língua e mais / deu vontade de voltar atrás / só que não é bem assim”.