Internacional

É Trump, estúpido?

Vitória dos democratas na Câmara torna a vida do presidente dos EUA mais complicada, mas conquista da maioria pelos Republicanos no Senado faz com que ele continue a dar as cartas

Crédito: REUTERS/Carlos Barria

CAMPANHA Republicanos esperam Trump em comício em Fort Wayne na segunda-feira 5 (Crédito: REUTERS/Carlos Barria)

O resultado das eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira 6 não foi o esperado nem pelos republicanos nem pelos democratas. O presidente Donald Trump alardeou uma grande vitória em seu Twitter, mas a verdade é que a disputa reflete a profunda divisão de um país. Os democratas conquistaram pelo menos 27 assentos na Câmara Legislativa, assegurando a maioria, enquanto os republicanos conquistaram ao menos dois novos assentos no Senado, reafirmando a maioria na casa, com 51 representantes contra 46 da oposição. Entre os governadores houve nova conquista democrata: sete candidatos foram eleitos, inclusive em regiões tradicionalmente republicanas, como o Estado do Kansas.

A “onda azul” alardeada pelos democratas foi muito menor que a de 2006, quando o partido conseguiu reverter a maioria da Câmara pela última vez. Mas mesmo longe da situação ideal para a oposição, o resultado torna a vida de Trump ainda mais complicada. Se o presidente eleito não conseguiu aprovar alguns de seus maiores projetos, como a mudança no Obamacare e a construção do muro separando os EUA do México, quando tinha maioria nas duas casas, agora ficou ainda mais difícil. E ainda: a oposição ganhou força para investigar denúncias e até aprovar um processo de impeachment contra Trump.

As eleições também registraram um recorde no número de eleitores. Até o fechamento desta edição, a estimativa era de que 113 milhões de pessoas foram às urnas, ultrapassando pela primeira vez a marca de 100 milhões. A participação de celebridades, como Taylor Swift, incitando principalmente os jovens a se registrarem para participar do pleito, foi decisiva.

Minorias eleitas

Pela primeira vez, duas mulheres muçulmanas foram eleitas para a Câmara dos Representantes: a democrata Ilhan Omar, que nasceu na Somália e se refugiou nos EUA, e Rashida Tlaib, a primeira de origem palestina. Ao lado delas, Sharice Davids e Deb Haaland se tornaram as primeiras deputadas mulheres de origem indígena. A nova iorquina de ascendência porto-riquenha Alexandria Ocasio-Cortez se tornou ainda a mais jovem deputada eleita para a Câmara dos Representantes. Ela terá 29 anos quando assumir o cargo. É vista ainda como uma das grandes promessas da esquerda americana, elogiada pelo senador Bernie Sanders.