Ediçao Da Semana

Nº 2743 - 19/08/22 Leia mais

A exibição de Zinedine Zidane contra o Brasil, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006, continua viva na mente de muitos torcedores, frustrados naquele dia pela eliminação consequente da derrota por 1 a 0 para a França. O meia teve uma atuação de gala, à qual até os brasileiros se renderam, e que passa a ser ainda mais admirada diante do fato de que o lendário Zizou fez tudo aquilo machucado.

Completando 50 anos nesta quinta-feira, o ex-jogador revelou, em entrevista especial ao jornal francês L’Equipe, ter entrado campo com um problema na coxa. O departamento médico da seleção francesa chegou a cogitar a possibilidade de vetar o craque, notícia recebida com desespero por ele.

“Eu me machuquei contra a Espanha (jogos das oitavas de final), marcado o terceiro gol no final da partida. Quase ninguém sabia, Fiz exames e disseram que eu não jogaria contra o Brasil. Eu disse: ‘está fora de questão que eu não possa jogar contra o Brasil”, contou. “A equipe médica fez de tudo para eu jogar porque eu queria muito jogar esse jogo, e eu joguei. Cada jogo podia ser o meu último. Eu tinha tanto isso na cabeça que era impossível não jogar contra o Brasil. Eu queria aproveitar cada segundo”, completou.

Mesmo lesionado, Zidane deu um show contra uma das seleções brasileira que mais alimentaram expectativas nos últimos tempos. O time escalado por Carlos Alberto Parreira tinha um setor ofensivo com os astros Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, além de Adriano no banco de reservas. Todos, contudo, foram ofuscados por Zizou, que esbanjou habilidade, protagonizando lances plásticos, e deu a assistência para o traumático gol de Henry, em cobrança de falta. Depois de eliminar o Brasil, a França passou por Portugal nas semifinais e perdeu a final para a Itália, em partida marcada pela expulsão de Zidane após a famosa cabeçada em Materazzi.

Na entrevista ao L’Equipe, ele também falou sobre o futuro da carreira como treinador. Sem clube desde que deixou o Real Madrid, em maio de 2021, ele tem o sonho de voltar a uma Copa do Mundo, como técnico da seleção francesa. “É a melhor coisa que pode acontecer. Quero ser, é claro, e espero ser, um dia. Mas isso não depende de mim. Conheci esta seleção francesa como jogador. E essa é a melhor coisa que já me aconteceu. Sério, é o auge. E assim, como vivi isso e hoje sou treinador, a seleção da França está firmemente enraizada na minha cabeça.