A inclusão de pessoas com deficiência não pode mais ser encarada como um conjunto de ações pontuais ou um gesto de benevolência; trata-se de um compromisso institucional permanente e um direito inalienável. Este foi o tom da Zero Project Conference 2026, realizada na sede da ONU em Viena, Áustria. O evento reuniu especialistas, autodefensores e representantes governamentais de diversos continentes para acelerar a implementação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
O Brasil marcou presença estratégica com figuras que unem a gestão técnica à experiência vivida. Fabiana Duarte de Souza Ventura, fundadora do Instituto Simbora Gente e membro do Comitê de Revisão do Zero Project, contribuiu na validação de práticas inovadoras globais. Ao seu lado, as autodefensores Samanta Quadrado e Bruna Amaral levaram o debate para o centro da prática: a participação ativa de quem vive a deficiência no cotidiano dos processos decisórios.
Inovação em escala: a programação destacou tecnologias assistivas integradas a serviços públicos e o desenho universal como padrão arquitetônico global.
Protagonismo real: o conceito de autodefensoria — pessoas com deficiência defendendo seus próprios direitos — foi reafirmado como a chave para políticas públicas eficazes.
Cultura multissensorial: festivais e espaços culturais ao redor do mundo apresentaram modelos de inclusão que vão além da rampa, focando na experiência sensorial completa.
Fim das exceções: o chamado central da conferência foi a transição da “inspiração” para a “institucionalização”, transformando projetos isolados em leis permanentes.
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Arte e autodefesa como ferramentas de transformação
Um dos grandes destaques brasileiros no evento foi a trajetória de Samanta Quadrado. Atriz e ativista, Samanta personifica o lema “Nada sobre nós, sem nós”. Para ela, ocupar palcos e câmeras nunca foi apenas uma escolha artística, mas um ato de afirmação política contra estereótipos capacitistas.
Como autodefensora, sua presença em fóruns internacionais como o Zero Project reforça que a voz da pessoa com deficiência tem valor soberano. Samanta não apenas ocupa espaços; ela propõe mudanças estruturais em grupos de estudo e debates públicos, provando que o protagonismo individual abre caminhos para a autonomia coletiva. Sua caminhada mostra que a inclusão verdadeira acontece quando o acesso deixa de ser uma concessão para se tornar o padrão.
Inclusão não é favor
A conferência de 2026 deixou claro que o reconhecimento e os prêmios são apenas portas de entrada. A transformação real ocorre quando a acessibilidade é integrada ao orçamento público e ao planejamento urbano desde a sua concepção. O reconhecimento global de práticas brasileiras, através de lideranças como Fabiana Ventura, sinaliza que o Brasil possui soluções inovadoras que podem ser escaladas mundialmente, especialmente em contextos de crise e reformas institucionais.
O encerramento do encontro foi marcado por um manifesto direto: é hora de avançar. A inovação inclusiva deve ser o alicerce das democracias modernas. Afinal, como ressaltado exaustivamente nos corredores da ONU: Inclusão não é favor. É direito.