Um dirigente do Partido Novo relatou à IstoÉ, sob condição de anonimato, que a pré-campanha de Romeu Zema à Presidência da República avalia que o governador de Minas Gerais poderá crescer na medida em que o presidente Lula e o PT mirarem sua artilharia de campanha no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Apoiado pela sigla, Zema não decolou nas pesquisas, onde oscila entre 2% e 5% das intenções de voto, e ganhou rivais na oposição ao petista. Além de Flávio e Renan Santos (Missão), o PSD tem três governadores que almejam o Palácio do Planalto — Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná.
O cenário de aparente isolamento do mineiro — sem o endosso de Jair Bolsonaro (PL) ou um partido grande como o PSD — levou integrantes do PL a flertarem publicamente com ele para a vaga de vice de Flávio Bolsonaro. “Zema seria um ótimo vice. O ideal é estarmos todos juntos no primeiro turno para vencermos as eleições“, afirmou Valdemar Costa Neto, presidente do partido.
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Conforme o dirigente do Novo, o PL não fez convite, mas a sigla descarta a possibilidade de não ter Zema candidato. A avaliação é de que a fragmentação da direita beneficia o mineiro e que, com Flávio melhor posicionado nas pesquisas, o PT deverá elegê-lo como alvo prioritário de críticas. “É mais provável que um voto do Flávio migre para Zema do que para alguém do partido do Kassab [PSD], por afinidade ideológica“, disse.
Na avaliação desta fonte, mesmo com estrutura de campanha inferior, ele pode repetir o que fez quando se elegeu governador, em 2018, depois de largar com 1% nas pesquisas. O dirigente ainda lembrou que, desde sua criação, o Novo sempre disputou eleições presidenciais — com João Amoedo, em 2018, e Felipe D’Ávila, em 2022.
Zema aposta em ‘mais candidatos, mais votos’ na direita
O presidenciável afirmou nesta terça-feira, 3, que a fragmentação da direita na eleição presidencial beneficiará o campo. “Quanto mais candidatos tivermos pela direita, mais votos teremos. No segundo turno, estaremos juntos apoiando aquele que passar“, disse ao jornal O Globo.
Na mesma entrevista, Zema buscou se distanciar do bolsonarismo e abraçar um discurso de direita alheio à polarização, como fizeram Ratinho, Caiado e Leite — reflexo de um esgotamento diagnosticado por marqueteiros políticos. O mineiro elogiou Bolsonaro, mas disse não acreditar em idolatria e afirmou não estar “tão à direita” quanto o ex-presidente.