O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) reagiu ao pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de incluí-lo no inquérito das fake news nesta segunda-feira, 20. A investigação é motivada por um vídeo publicado por Zema retratando magistrados da Corte em forma de fantoches.
Pela rede social X, antigo Twitter, Zema reconheceu que a provocação seria incômoda aos ministros, mas não é motivo suficiente para motivar um processo. Segundo o mineiro, “se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu”.
Se um teatro de fantoches é visto como ameaca por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu.
Os ministros não gostaram da nossa serie “os intocaveis”. Beleza.
Mas me processar por isso?
O humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo. pic.twitter.com/izsAFOJuEC
— Romeu Zema (@RomeuZema) April 20, 2026
O vídeo foi publicado por Zema em março, retratando uma conversa entre dois fantoches caracterizados como Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No post, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado. Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.
Na representação encaminhada a Alexandre de Moares, Gilmar Mendes destaca que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria”.
O decano ainda ressalta que o ex-governador valeu-se de “sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’; o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.
Zema defendeu-se alegando que “o humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo”. O atrito ocorre pouco depois de o pré-candidato apresentar um plano de campanha que inclui uma proposta de reforma no STF, a quem o mineiro frequentemente se refere como “intocáveis”.