Zema critica pedido de Gilmar para incluí-lo no inquérito das fake news

Pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais pode ser investigado por vídeo satirizando ministros do STF

Romeu Zema (Novo) renunciou neste domingo, 22, ao governo de Minas Gerais
Romeu Zema (Novo) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) reagiu ao pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de incluí-lo no inquérito das fake news nesta segunda-feira, 20. A investigação é motivada por um vídeo publicado por Zema retratando magistrados da Corte em forma de fantoches.

Pela rede social X, antigo Twitter, Zema reconheceu que a provocação seria incômoda aos ministros, mas não é motivo suficiente para motivar um processo. Segundo o mineiro, “se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu”.

O vídeo foi publicado por Zema em março, retratando uma conversa entre dois fantoches caracterizados como Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No post, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado. Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.

Na representação encaminhada a Alexandre de Moares, Gilmar Mendes destaca que Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria”.

O decano ainda ressalta que o ex-governador valeu-se de “sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’; o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte para travar diálogo que, além de inexistente, tem como claro intuito vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”.

Zema defendeu-se alegando que “o humor é usado pra criticar o poder desde que o mundo é mundo”. O atrito ocorre pouco depois de o pré-candidato apresentar um plano de campanha que inclui uma proposta de reforma no STF, a quem o mineiro frequentemente se refere como “intocáveis”.