O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira (12) que a Rússia continuou realizando ataques contra instalações energéticas ucranianas, apesar do anúncio de um cessar-fogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no domingo (11).
Segundo Zelensky, forças russas atingiram uma usina de geração de energia e aquecimento na cidade de Kharkiv, a segunda maior do país, pouco depois de Trump anunciar que Moscou e Kiev haviam concordado em suspender os ataques contra a infraestrutura energética.
O governo ucraniano declarou apoiar uma trégua recíproca, mas afirmou que ainda aguardava detalhes da proposta americana e garantias de que a Rússia também interromperia os bombardeios.
Até o momento das declarações, não havia confirmação pública de Moscou sobre a implementação do acordo anunciado por Washington.
Zelensky relata novos ataques contra infraestrutura energética
Durante participação por videoconferência no Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky afirmou que drones russos já estavam sobrevoando a Ucrânia quando Trump divulgou o anúncio da trégua.
O presidente ucraniano relatou que uma instalação de energia em Kharkiv foi atingida e que outros ataques alcançaram estruturas ligadas ao abastecimento de gás e combustível.
Ao comentar a continuidade das ofensivas, Zelensky ironizou o anúncio feito pelo presidente americano na rede social Truth Social.
“Ficou claro que Putin não lê a Truth Social”, afirmou.
Segundo o líder ucraniano, os ataques demonstram que o anúncio de um cessar-fogo precisa ser acompanhado de compromissos verificáveis e medidas concretas para proteger a população civil.
Zelensky também informou que, ao longo da última semana, a infraestrutura de geração de energia da Ucrânia foi alvo de mais de 200 ataques, enquanto instalações de petróleo e gás sofreram 17 ofensivas.
Os números foram apresentados pelo governo ucraniano e não constituem, por si só, uma verificação independente de cada ocorrência.
Trump anunciou cessar-fogo com efeito imediato
No domingo, Donald Trump afirmou que Rússia e Ucrânia haviam concordado com a suspensão imediata de ataques contra instalações energéticas.
O anúncio foi feito em sua plataforma Truth Social, sem a divulgação de um documento formal ou dos mecanismos previstos para fiscalizar o cumprimento da medida.
A declaração surpreendeu o governo ucraniano, que informou não ter recebido previamente os detalhes de um eventual entendimento.
Zelensky afirmou que Kiev estava disposta a aderir à proposta, desde que a Rússia também interrompesse suas operações contra o sistema energético ucraniano.
O Kremlin, por sua vez, não havia confirmado publicamente a existência de um acordo nos termos apresentados por Trump.
Diante desse cenário, a iniciativa americana permanece cercada de dúvidas sobre sua implementação e sobre as obrigações assumidas por cada país.
Ucrânia aceita interromper ataques se Rússia fizer o mesmo
O governo ucraniano reiterou que está disposto a suspender ataques de longo alcance contra refinarias de petróleo e outras instalações energéticas russas, desde que Moscou adote medida equivalente.
Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou ofensivas contra refinarias e estruturas petrolíferas em território russo, buscando atingir fontes de receita e a capacidade de abastecimento utilizada pela Rússia.
Moscou, por sua vez, manteve ataques contra usinas, subestações e instalações de gás ucranianas.
Zelensky afirmou que uma interrupção recíproca dessas operações seria importante para reduzir os danos à população e criar condições para negociações mais amplas.
O presidente também declarou que a Ucrânia está disposta a formalizar garantias, caso os Estados Unidos considerem necessário.
Presidente ucraniano cobra pressão dos Estados Unidos
Além de questionar a eficácia do anúncio, Zelensky pediu que Washington mantenha a pressão diplomática e econômica sobre Moscou.
O líder ucraniano defendeu que a redução das hostilidades não seja acompanhada de concessões unilaterais à Rússia.
A discussão ocorre em um momento de tensão entre os governos americano e ucraniano.
Trump tem criticado os ataques de Kiev contra refinarias russas, associando essas operações à pressão sobre os preços internacionais dos combustíveis.
O governo americano também anunciou entendimentos envolvendo o fornecimento de diesel russo, iniciativa que provocou críticas de autoridades ucranianas e europeias.
Para Kiev, qualquer negociação sobre energia precisa considerar os ataques russos contra a infraestrutura civil da Ucrânia.
União Europeia demonstra preocupação com a trégua
Representantes da União Europeia também manifestaram dúvidas sobre a disposição da Rússia de cumprir um eventual cessar-fogo.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que uma trégua precisa abranger a proteção da população e não apenas instalações de energia.
O bloco europeu defende a manutenção da pressão sobre Moscou enquanto os ataques contra o território ucraniano continuarem.
A situação energética é especialmente sensível para a Ucrânia, que enfrenta danos recorrentes em usinas e redes de distribuição desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022.
As ofensivas afetam o fornecimento de eletricidade, aquecimento e água em diferentes regiões do país.
Guerra continua sem acordo confirmado
Apesar da disposição manifestada por Kiev para negociar uma trégua energética, os ataques relatados nesta segunda-feira indicam que a proposta anunciada por Trump ainda não se traduziu em uma interrupção verificável das hostilidades.
A Ucrânia afirma que poderá cumprir um cessar-fogo recíproco e cobra garantias de Washington para que a Rússia faça o mesmo.
Enquanto não houver confirmação dos compromissos assumidos pelas partes e mecanismos para acompanhar seu cumprimento, a situação permanece indefinida.
O conflito entre Rússia e Ucrânia já ultrapassou quatro anos, sem uma solução diplomática definitiva.
Da IstoÉ
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