Zelenskiy aceita oferta de Lula para mediar paz na Ucrânia

Presidente ucraniano se mostra aberto à proposta brasileira de engajar membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU

Zelenskiy aceita oferta de Lula para mediar paz na Ucrânia

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, aceita a oferta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para mediar um acordo de paz no conflito com a Rússia. A confirmação veio nesta sexta-feira, por um assessor presidencial ucraniano, após um encontro dos líderes na cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França.

O que aconteceu

  • Volodymyr Zelenskiy aceita mediação de paz proposta por Lula para o conflito na Ucrânia.
  • Lula sugeriu envolver os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU na busca por um cessar-fogo.
  • A Ucrânia intensifica seus esforços diplomáticos para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos.

Lula já havia conversado com os líderes dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e planeja reiterar esses contatos. “Quem é que pode fazer parar essa guerra? Sabe quem? Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU… São eles que têm poder de veto, são eles que podem tomar decisão para a guerra ou para a paz”, disse o presidente brasileiro em coletiva de imprensa nesta semana. Ele enfatizou que esses países são os “responsáveis de garantir a paz ou a guerra entre Rússia e Ucrânia”.

Qual o papel do conselho de segurança da ONU?

Anteriormente, Lula mencionou que tentativas de mediação não haviam gerado interesse de Zelenskiy, da Rússia ou de outros integrantes do Conselho de Segurança. Contudo, agora “o Zelenskiy quer paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido extra, quer a paz para poder discutir a paz”, afirmou o presidente.

O encontro entre Zelenskiy e Lula ocorreu à margem da cúpula do G7, realizada na cidade turística francesa de Evian-les-Bains, na última quarta-feira. Na ocasião, o líder ucraniano aproveitou para cobrar dos aliados um aumento da pressão sobre a Rússia para pôr fim à guerra que se estende por mais de quatro anos.

Como as negociações avançam?

De acordo com Dmytro Lytvyn, assessor de comunicação presidencial da Ucrânia, os dois líderes concordaram em tentar alcançar resultados concretos com base nas ideias e contatos propostos, e discutirão o assunto posteriormente com base nesses avanços.

Além dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido — nações com as quais a Ucrânia mantém estreitos contatos diplomáticos —, o Conselho de Segurança da ONU inclui a Rússia e a China como membros permanentes.

Uma iniciativa de mediação apoiada pelos Estados Unidos no início deste ano estagnou devido à insistência da Rússia em novas concessões territoriais da Ucrânia, algo que Kiev se recusa veementemente a aceitar. Volodymyr Zelenskiy também instou o presidente dos EUA, Donald Trump, a retomar os esforços de mediação e intermediar um encontro presencial entre ele e Vladimir Putin, proposta que o líder russo descartou por enquanto.

A Ucrânia tem intensificado seus esforços diplomáticos recentes para buscar o fim do conflito, especialmente após a paralisação de negociações de paz mediadas pelos EUA em decorrência da guerra no Irã.

*Com Reuters