O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar os ministros Marco Buzzi e Moura Ribeiro, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um inquérito que apura suspeitas de venda de sentenças na Corte. A decisão, que atendeu a um pedido da PF com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi revelada pelo jornal “O Globo” e confirmada pela TV Globo, intensificando a Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024 para combater um esquema de comercialização de decisões judiciais.
O que aconteceu
- A investigação no STJ por venda de sentenças foi autorizada por Zanin, abrangendo os ministros Marco Buzzi e Moura Ribeiro.
- Marco Buzzi já está afastado do STJ desde fevereiro, enfrentando acusações de importunação e assédio sexual, com julgamento agendado para 6 de agosto.
- A Polícia Federal busca identificar o caminho do dinheiro e possível lavagem de capitais, investigando dados bancários de empresas, familiares e servidores ligados aos ministros.
Marco Buzzi está afastado do STJ desde fevereiro, após denúncias de importunação e assédio sexual apresentadas por duas mulheres. O julgamento desse caso na Corte Especial está marcado para 6 de agosto. Em paralelo, a PF agora analisa menções a familiares do ministro encontradas no material da Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024 para investigar o esquema de comercialização de decisões judiciais.
A defesa do magistrado negou irregularidades. “O ministro Buzzi não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares, ao contrário, é impedido de exercer função de juiz em casos que familiares atuem”, afirmou em nota.
Novas frentes de apuração no STJ
Além de Buzzi, o STF também autorizou investigação contra o ministro Moura Ribeiro, do STJ, no mesmo caso. Zanin atendeu a pedido da PF, com aval da Procuradoria-Geral da República. Os investigadores apontaram suspeitas de favorecimento em decisões e querem levantar dados bancários de empresas, familiares e servidores.
“Somente com novas diligências será possível identificar o caminho do dinheiro e verificar possíveis atos de lavagem de capitais”, afirmou a PF no pedido enviado ao Supremo. Moura Ribeiro disse desconhecer a investigação.
Qual o panorama das denúncias e acusados?
A PGR já denunciou nove pessoas por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e exploração de prestígio. Entre os acusados estão o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como elo central do esquema, e os ex-servidores Márcio Toledo Pinto e Daimler Alberto de Campos, que atuavam nos bastidores do tribunal. Só uma empresa do lobista teria repassado R$ 4 milhões para a empresa da mulher de um dos servidores entre 2021 e 2023.