Fed diz que há razões para elevar taxa básica de juros

Fed diz que há razões para elevar taxa básica de juros

As razões para que as taxas básicas de juros subam nos Estados Unidos aumentaram nos últimos meses – afirmou nesta sexta-feira (26) a presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Janet Yellen.

Em discurso em uma reunião anual da entidade no Wyoming, Yellen falou de um forte crescimento do mercado atacadista e disse que é preciso esperar aumentos da taxa básica nos próximos anos.

“À luz do sólido e sustentável desempenho do mercado de trabalho, de nossas perspectivas de atividade econômica e da inflação, acho que o argumento para aumentar a taxa básica de juros se fortaleceu nos últimos meses”, declarou, durante o simpósio anual que o Fed realiza em Jackson Hole, no Wyoming.

As palavras de Yellen, que influenciarão os mercados, deixaram claro as intenções das autoridades de política monetária americanas. Nos últimos meses, vem-se mencionando a necessidade de subir as taxas em curto prazo.

Ao longo do ano, analistas de mercado se queixaram dos pronunciamentos públicos do Fed, por considerá-los evasivos e até contraditórios, o que, segundo eles, gerava perplexidade nos investidores.

As afirmações de Yellen aumentam a probabilidade de que o Comitê de Política Monetária (FOMC, na sigla em inglês) eleve as taxas ainda no correr deste ano – inclusive já na reunião de setembro.

O Fed aumentou as taxas em dezembro de 2015 pela primeira vez em quase uma década e pareceu concluir, assim, suas políticas de apoio à economia para responder à grande recessão de 2008 e 2009.

As taxas ficaram entre 0,25% e 0,50%, e o Fed não deu sinais de sua intenção de voltar a aumentá-las.

A entidade visava ao crescimento dos Estados Unidos, temendo que acontecesse de forma lenta e, ao mesmo tempo, advertiu sobre as muitas incertezas no mundo – especialmente na China e na Europa.

Apesar de seu claro sinal de que o aumento dos juros agora é mais provável, Yellen advertiu que as decisões dependem de condições econômicas que podem sofrer muitas mudanças.

“Nossa capacidade para prever como evoluirá a taxa básica é muito limitada, porque a política monetária necessitará responder a qualquer problema problema que possa abalar a economia”, explicou Yellen.

Ela acrescentou que algumas dessas condições se tornam visíveis apenas depois que acontecem.

“Por isso, a margem de resultados razoáveis é muito ampla para as taxas”, destacou.

Yellen mencionou estudos, segundo os quais há 70% de possibilidades de que as taxas sejam entre 0% e 3,25% até o final de 2017. Essa margem se expandiria para ficar entre 0 e 4,5% no final de 2018.

“Quando ocorrem choques, e o panorama econômico muda, é preciso fazer ajustes”, acrescentou Yellen.

A presidente do Fed destacou que a economia incorpora novos empregos em um ritmo mensal médio de 190.000, e o consumo continua em uma base sólida.

Os comentários de Yellen foram mais diretos e claros do que os pronunciamentos anteriores do Fed, que mostravam uma mistura de inflação relativamente baixa e uma produtividade fracas.

O discurso de Yellen coincidiu com uma revisão para baixa do já anêmico crescimento econômico americano no segundo trimestre. O Departamento do Comércio informou que, nesse período, a economia cresceu 1,1% – um décimo de ponto percentual a menos do que se previa.

Antes da abertura do simpósio de Jackson Hole, nesta sexta, membros do FOMC se reuniram com ativistas que acusam o Fed de ser liderado por pessoas brancas e endinheiradas provenientes do setor financeiro privado. Além disso, considera que o aumento das taxas prejudicará o trabalho e as minorias.

“Se decidirem que estamos agora com máximo emprego e, intencionalmente, desaceleram a economia, vão nos deixar para trás. Vão chutar a escada, depois que vocês já subiram”, reclamou Rod Adams, de uma organização de Minnesota.

O presidente do Fed de São Francisco, John Williams, mostrou compreensão com as queixas, mas respondeu que, demorar a elevar as taxas pode provocar recessão em alguns anos.