Xandão manda a real: liberdade de expressão, sim; de agressão, não

Xandão manda a real: liberdade de expressão, sim; de agressão, não

O ministro do STF Alexandre de Moraes - AFP

‘Liberdade de expressão não é liberdade de agressão’, declarou nesta sexta-feira (29) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, o ‘Xandão’, terror de onze em cada dez bolsonaristas. Chega a ser inacreditável a necessidade de tal fala, mas no País emergido do bolsonarismo, sim, é necessário. E importante.

Meses atrás, um episódio de pura selvageria ocorreu no vôlei nacional, quando um ex-atleta homofóbico – assumido! – investiu ferozmente contra um colega homossexual, por causa de uma divergência idiota, sobre uma revista em quadrinhos, onde o filho do Superman beijava um outro rapaz. O assunto dominou o noticiário do País por dias.


O clube em que jogava o machão foi pressionado pelos patrocinadores – ainda bem! – a demiti-lo, já que a diretoria ou concordava com as posições asquerosas de seu jogador, em franco desrespeito aos seus sócios-mantenedores (muitos deles gays ou pais de gays), ou não enxergava qualquer problema nas declarações inaceitáveis.

A horda bolsonarista, claro, comprou a briga e abraçou a causa! Essa gente não perde uma única oportunidade de escolher o lado errado. Assim, não só condenou os patrocinadores, como transformou o ex-atleta agressor em herói nacional, e tudo indica irá disputar uma vaga no Congresso Nacional, com grandes chances de obtê-la.

Liderados pelo ‘mito’ rachador de salários de funcionários fantasmas, amigo íntimo de miliciano, adorador de assassino de aluguel e torturador, que casou um monte de vezes e prega violência – sempre em nome de Jesus! – a malta agora empenha-se em mais uma cruzada selvagem: a defesa do brutamontes golpista.

Refiro-me, por óbvio, ao deputado criminoso Daniel Silveira, que prega abertamente o AI-5, o fechamento do Congresso e do STF, o espancamento dos ministros do Supremo e outras selvagerias mais, como o desagravo ao assassinato de uma vereadora carioca, Marielle Franco, quando quebrou uma placa de rua com seu nome.

A bolsolândia diz que o arruaceiro apenas exerce sua liberdade de expressão ao incentivar e defender inúmeros crimes. Porém, não considera liberdade de expressão um ‘beijo gay’ em quadrinhos. Não considera liberdade de expressão a defesa do comunismo ou mesmo aula de educação sexual nas escolas, que chamam de ideologia de gênero.

O duplo padrão moral dessa canalha é obsceno e sua incoerência intelectual, gritante. Por um lado, defendem o direito de alguém pedir agressão física contra outrem, por outro, não aceitam o exercício político das esquerdas nem admitem a liberdade sexual alheia. Aliás, para eles, ladrão é só o meliante de São Bernardo; jamais os sócios do Queiroz.

O ministro do Supremo, André ‘terrivelmente evangélico’ Mendonça, quando ministro da Justiça, abriu inquérito em nome da ‘segurança nacional’ contra um sujeito que produziu um outdoor, chamando Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, de ‘pequi roído’. Entenderam? Liberdade de expressão é atirar juízes no lixo, jamais ofender o presidente-patrão.






Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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