O renomado cineasta alemão Wim Wenders voltou a se manifestar neste domingo (6) sobre a controvérsia que marcou sua participação como presidente do júri do Festival de Berlim, em fevereiro. Durante o Festival de Veneza, o diretor de “Paris, Texas” esclareceu suas declarações polêmicas, nas quais havia sugerido que cineastas não deveriam se envolver em política.
- Wim Wenders esclarece polêmica no Festival de Veneza sobre o papel dos cineastas na política.
- Em fevereiro, no Festival de Berlim, o diretor havia dito que cineastas “não podem realmente entrar no campo da política”.
- Agora, ele afirma ter sido mal interpretado e reitera que cineastas agem com empatia, ao contrário dos políticos.
Na ocasião da polêmica inicial, Wenders causou mal-estar ao ser questionado sobre o apoio da Alemanha a Israel durante a guerra na Faixa de Gaza e afirmar que cineastas “não podem realmente entrar no campo da política”. Essa declaração gerou considerável repercussão, levantando debates sobre o engajamento social e político da arte cinematográfica.
Wenders explica sua visão sobre a política no cinema
Em Veneza, o cineasta declarou que suas palavras foram mal interpretadas. “O que eu disse é que nós, cineastas, somos o oposto dos políticos. Nós temos empatia. A política funciona sem. Nós trabalhamos com a mentalidade de pessoas empáticas, não com a mentalidade dos políticos. E nosso objetivo é mudar as coisas. A política se baseia na confirmação do status quo”, detalhou Wenders.
O diretor participou da coletiva de imprensa para apresentar, fora de competição, o documentário “From Inside Out ? The Architecture of Peter Zumthor”, focado na obra do arquiteto suíço vencedor do prêmio Pritzker.
Como os cineastas atuam, segundo o diretor?
“As minhas palavras foram reproduzidas como se eu tivesse dito que devemos ficar fora da política. O que não corresponde em nada ao que eu disse. Nós fazemos o oposto dos políticos, nós somos o antídoto”, acrescentou Wenders, reforçando seu posicionamento.
O tema do engajamento político no cinema também havia sido levantado na coletiva de imprensa de abertura do Festival de Veneza, na semana anterior. Na ocasião, a presidente do júri da competição, Maggie Gyllenhaal, declarou que os filmes são “fundamentalmente e inegavelmente políticos”, apresentando um contraponto à interpretação inicial das falas de Wenders.
Para o cineasta alemão, no entanto, “a mentalidade dos cineastas é diferente da dos políticos”. “Seguimos regras diferentes, e espero que me citem de maneira correta”, concluiu Wenders, sorrindo. (ANSA)