O delegado William Marcel Murad assumiu interinamente o comando da Polícia Federal nesta terça-feira, 8, após o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até então diretor-executivo da PF, Murad ocupava o segundo posto mais importante da estrutura da instituição e, pelas normas internas, é o substituto imediato do diretor-geral. Ele está na Polícia Federal desde 2002 e acumula passagens por áreas de inteligência, combate ao crime organizado, tecnologia e cooperação internacional.
A mudança no comando ocorreu depois de Andrei ser formalmente comunicado da decisão judicial. O afastamento tem caráter preventivo e também atingiu Leandro Almada, então diretor de Inteligência Policial.
Quem é William Murad?
Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Murad ingressou na PF em 2002. Logo no primeiro ano na corporação, terminou em primeiro lugar de sua turma no Curso de Formação Profissional da Academia Nacional de Polícia (ANP).
Sua formação inclui especialização em Inteligência Antidrogas realizada em Lima, no Peru, além de passagem pela FBI National Academy, na Virgínia, nos Estados Unidos, em 2010. Murad também concluiu cursos de Inteligência Policial e o Curso Superior de Polícia da própria PF.
O delegado também atua na formação de novos integrantes da corporação, lecionando disciplinas relacionadas a planejamento e direção operacional na Academia Nacional de Polícia.
Carreira passou por inteligência e combate ao crime organizado
Antes de chegar à cúpula da PF, Murad ocupou diferentes funções operacionais e administrativas.
No início da carreira, trabalhou no combate ao tráfico de drogas em Pernambuco. Depois, passou pelo Rio Grande do Norte, onde exerceu funções relacionadas à repressão a entorpecentes, inteligência policial e combate ao crime organizado.
Entre 2008 e 2010, comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários. Na sequência, chefiou a Delegacia da Polícia Federal em São José do Rio Preto, no interior paulista, função que exerceu entre 2010 e 2013.
Murad também participou da estrutura de segurança montada pelo governo federal para grandes eventos realizados no Brasil, incluindo a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
Posteriormente, passou por postos estratégicos na administração central da PF. Foi coordenador-geral de Inteligência em 2017 e ocupou funções na área de Tecnologia da Informação até 2021.
Entre novembro de 2021 e dezembro de 2024, atuou como adido da Polícia Federal no Reino Unido e na Irlanda do Norte. Em janeiro de 2025, retornou ao Brasil para assumir a Diretoria-Executiva da corporação, tornando-se o número 2 da gestão de Andrei Rodrigues.
Murad manifesta apoio a Andrei Rodrigues
Pouco depois da decisão de André Mendonça, Murad participou de uma cerimônia na Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília, na qual Andrei estava inicialmente previsto para discursar.
Durante o evento, o novo diretor-geral interino manifestou apoio ao chefe afastado e afirmou ter “total confiança” em Andrei Rodrigues. Murad também defendeu a instituição diante do momento de turbulência enfrentado pela cúpula da PF.
A escolha de Murad indica, ao menos inicialmente, uma linha de continuidade administrativa. Como diretor-geral em exercício, ele pode conduzir normalmente a instituição e passa a responder pela coordenação das atividades da PF, administração, nomeações e representação institucional enquanto durar a substituição.
Por que Andrei Rodrigues foi afastado?
Andrei Rodrigues foi afastado preventivamente por decisão de André Mendonça em meio à crise envolvendo relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal.
Mendonça sustenta que documentos da corporação revelaram um monitoramento sistemático e ilegal de sua atuação e de outras autoridades. O ministro também determinou o afastamento de Leandro Almada e ordenou a abertura de procedimentos para apurar quem determinou a produção dos relatórios, quem os elaborou e como os documentos foram compartilhados.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria nesta terça-feira para referendar o afastamento de Andrei. O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
A crise também provocou reação dentro da Polícia Federal. Onze integrantes da diretoria colocaram seus cargos à disposição de Murad e divulgaram um manifesto em defesa de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
Da IstoÉ
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