A Antártica voltou ao centro do debate ambiental internacional após a visita do ator Will Smith ao laboratório brasileiro Criosfera 1, em janeiro deste ano, durante as gravações da série documental “De Polo a Polo”, realizada ao longo de uma expedição internacional.
A passagem do artista pelo continente gelado chamou atenção para o trabalho de pesquisadores que atuam na região e reacendeu discussões sobre a necessidade de medidas urgentes de conservação. As imagens do ator ao lado de cientistas brasileiros tiveram ampla repercussão na imprensa e nas redes sociais.
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Para a Dra. Francyne Elias-Piera, bióloga, pesquisadora antártica e fundadora do Instituto Gelo na Bagagem, o episódio evidencia um padrão recorrente. “A ciência alerta há décadas sobre o colapso do sistema polar, mas, muitas vezes, é a presença de uma celebridade que faz o tema ganhar espaço fora do meio acadêmico”, afirma.
Além de Will Smith, outras figuras públicas ajudaram a ampliar a visibilidade do continente nos últimos anos. Viagens de Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones à Antártica repercutiram globalmente, enquanto Leonardo DiCaprio se consolidou como um dos principais defensores da causa climática, financiando pesquisas e pressionando líderes políticos, mesmo sem nunca ter visitado a região.
Mais recentemente, celebridades também passaram a atuar diretamente na diplomacia ambiental. Uma carta internacional liderada pela oceanógrafa Sylvia Earle, com apoio de nomes como Benedict Cumberbatch, James Blunt e Klebber Toledo, pede a criação de áreas marinhas protegidas e a restrição da pesca industrial de krill, base da cadeia alimentar do Oceano Austral.
“O krill sustenta baleias, focas e pinguins. A pressão da pesca industrial coloca em risco todo o ecossistema polar”, alerta Francyne, que também assina o documento.
Apesar da mobilização, a CCAMLR, comissão internacional responsável pela conservação dos recursos marinhos da Antártica, segue sem consenso. Há quase uma década, o órgão não aprova novas áreas protegidas e, no último ano, deixou de renovar os limites à pesca de krill.
Segundo a pesquisadora, o cenário é preocupante diante dos dados mais recentes. “Estamos vivendo recordes de derretimento e mudanças na circulação oceânica que já afetam o clima global. A visibilidade ajuda, mas não substitui decisões políticas”, conclui.
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