Tilda Swinton, Bill Murray, Timothée Chalamet… e uma longa lista de estrelas vão apresentar nesta segunda-feira (12) em Cannes “A Crônica Francesa”, de Wes Anderson, na disputa pela Palma de Ouro e um dos filmes mais esperados desta edição.
Quase dez anos depois de competir com “Moonrise Kingdom”, o cineasta americano retorna à Croisette com alguns de seus atores fetiche.
O elenco de “A Crônica Francesa”, filmado na França, também inclui Benicio del Toro, Adrien Brody, Frances McDormand e Owen Wilson e vários franceses, como Léa Seydoux – que talvez não comparecerá à estreia por ter testado positivo para a covid-19 alguns dias atrás.
O filme, cujas primeiras imagens evocam o universo melancólico de seu autor, é um compêndio de contos publicados em uma revista americana de uma cidade francesa do século XX, segundo sua sinopse.
Era justamente esse filme que deveria abrir o festival no ano passado, que foi finalmente cancelado pela pandemia. Desde então, poucos detalhes vazaram sobre ele.
Anderson, de 52 anos, construiu ao longo de uma dúzia de filmes, como “O Grande Hotel Budapeste” e “Darjeeling Limited”, um estilo facilmente reconhecível por ser carregado de detalhes e planos simétricos.
Embora essa estética, às vezes, faça lembrar o mundo adocicado das casas de boneca, suas histórias contêm momentos difíceis, como decepções, abandonos e suicídios. Numa ocasião, ele comentou que o divórcio dos pais, quando tinha oito anos, marcou sua infância e por isso famílias desfeitas são um tema recorrente em seu trabalho.
Para seu próximo filme, o cineasta planeja rodar neste verão na Espanha, nos arredores de Madri, segundo a imprensa espanhola.
– Diretor russo ausente –
Nesta segunda-feira, também foi exibido o filme em competição “Petrov’s Flu”, do russo Kirill Serebrennikov.
Considerado um dos mais ousados cineastas russos de sua geração, não pôde comparecer à gala porque está proibido de sair da Rússia por uma condenação criminal, situação que já ocorreu em 2017, quando concorreu com “Leto”.
“Agradeço a todos os que aqui estão. É a primeira vez que exibo o meu filme. Estou obviamente encantado e festejo este século XXI que, graças às novas tecnologias, nos permite estar juntos”, reagiu ao final da projeção o cineasta, a quem a palavra foi cedida na sala através de um curtíssimo vídeo ao vivo.
No tapete vermelho, os atores do filme usaram um broche com a imagem do diretor. E dentro da sala, uma poltrona vazia com seu nome revelava sua ausência.
“Quero dizer a Kirill ‘eu te amo'”, declarou o ator Yuri Borisov na chegada à gala. “Estou orgulhoso de estar em seu filme”, disse a atriz Chulpan Khamatova, que explicou que o filme mesclava “o passado soviético, o futuro e o que está acontecendo hoje”.
“Petrov’s Flu” lembra um mundo pós-pandêmico: se passa em uma cidade vítima de uma epidemia de gripe e narra uma “longa caminhada bêbada, entre o sonho e a realidade” de dois amigos. “É um filme muito russo e muito pessoal sobre nossos medos”, disse o diretor no domingo à Variety.
“Eu não tinha planejado fazer este filme. Ele veio até mim, me cativou e eu me tornei um prisioneiro de grande prazer. Veio em um momento muito difícil da minha vida”, quase como “uma tábua de salvação”, afirmou ele alguns semanas atrás, ao saber que o filme iria competir em Cannes.