Pacientes que trocaram medicamentos injetáveis para emagrecimento pela versão em comprimido do Wegovy continuaram perdendo peso após a mudança no tratamento. Dados apresentados nesta quarta-feira (30), em Milão, na Itália, mostram redução média de 4,1% do peso corporal durante os três meses seguintes à transição.
O levantamento avaliou pessoas com sobrepeso ou obesidade que utilizavam terapias injetáveis baseadas em GLP-1, entre elas medicamentos como Wegovy e Zepbound, e passaram a receber diariamente semaglutida oral, princípio ativo também presente na versão injetável do Wegovy.
Após três meses, os participantes haviam perdido, em média, 4 quilos. O peso médio no momento da troca era de aproximadamente 100,5 quilos.
Quase 41% dos pacientes conseguiram reduzir pelo menos 5% do peso corporal nesse período.
Número de pacientes com obesidade também caiu
Outro resultado observado foi a redução da proporção de participantes classificados como clinicamente obesos.
Antes da mudança para o comprimido, 87,1% estavam nessa classificação. Três meses depois, o percentual havia recuado para 65,5%.
Os resultados reforçam a possibilidade de utilização da versão oral como alternativa para pacientes que preferem comprimidos ou enfrentam dificuldades para manter tratamentos injetáveis.
O Wegovy em comprimidos utiliza semaglutida oral e é administrado diariamente, diferentemente da versão injetável, aplicada semanalmente.
Resultado não significa superioridade definitiva sobre canetas
Apesar dos resultados, os dados não permitem concluir que o comprimido provoque maior emagrecimento do que os medicamentos injetáveis em todos os pacientes.
O levantamento analisou resultados obtidos na prática clínica depois que os participantes trocaram de tratamento. Não houve uma distribuição aleatória entre grupos usando simultaneamente comprimidos e canetas para estabelecer uma comparação direta.
Além disso, parte das informações utilizadas no acompanhamento foi relatada pelos próprios pacientes.
Ensaios clínicos controlados realizados anteriormente já demonstraram que a semaglutida oral pode produzir redução significativa do peso em adultos com sobrepeso ou obesidade. Em um estudo de 64 semanas com a dose diária de 25 mg, a redução média ficou acima de 13% entre os participantes que receberam o medicamento.
Tratamentos orais ganham espaço
Os medicamentos orais representam uma nova frente na disputa pelo mercado de tratamentos contra a obesidade.
A expectativa é que os comprimidos ampliem as alternativas disponíveis para pacientes que não desejam utilizar medicamentos injetáveis, embora indicação, dose e eventual mudança de tratamento devam ser avaliadas individualmente por profissionais de saúde.
Efeitos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, estão entre as reações associadas à semaglutida e também foram frequentes nos estudos clínicos com a versão oral.
Da IstoÉ