Wagner Moura, 49 anos, avaliou a situação política nos Estados Unidos e disse considerar que o Brasil lidou melhor com ameaças à democracia do que o cidadão estadunidense. Em entrevista para a revista americana Variety, publicada recentemente, o ator baiano disse que as instituições não estão respondendo com a firmeza adequada.
“Nos Estados Unidos, é como se estivessem testando, como uma criança — estão assim: ‘Vou fazer isso’, e, se não houver nenhuma reação, e aí? Eu sinto que os Estados Unidos e suas instituições não estão respondendo com a firmeza adequada — colocando limites, fazendo as pessoas enfrentarem consequências”, disse o protagonista de “O Agente Secreto”.
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Ao ser questionado sobre uma declaração anterior de que os americanos não davam o devido valor à democracia, o ator disse considerar que o Brasil lidou melhor com ameaças à democracia que os americanos.
“Quando estava filmando ‘Guerra Civil’, pensava constantemente em como o Brasil lidou de modo diferente com a insurreição — de um jeito melhor que [os americanos], porque o Brasil agiu rápido para fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se mexe com a democracia. Mandamos as pessoas para a cadeia. Bolsonaro está na cadeia”, disse.
Para Moura, as pessoas, de uma maneira geral, não se importam com fatos, o que ele considerou preocupante. “Nós costumávamos brigar, esquerda e direita, sobre as mesmas coisas. Agora, não existem fatos. Existem versões da verdade. Quando o próprio presidente cria um universo em que Renee Good [cidadã americana morta por agentes do ICE] é culpada, isso não é só moralmente horrível, mas também não é verdade”, avaliou.
Ainda durante a entrevista, o artista declarou que a boa fase do cinema brasileiro vive hoje se deve ao governo atual. “A atenção que os filmes brasileiros estão recebendo, especialmente depois que a extrema-direita começou a demonizar artistas no Brasil, é especial. O Brasil agora tem um governo favorável à cultura, ao cinema”, afirmou ele.