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Wada evita novas sanções contra Rússia mas vai vigiá-la de perto

A Agência Mundial Antidoping (Wada) anunciou nesta terça-feira (22) que não vai aplicar novas sanções à Agência russa (Rusada), que não havia cumprido o prazo limite do dia 31 de dezembro para lhe entregar dados cruciais de seu laboratório de Moscou.

“Vários membros do Comitê Executivo expressaram decepção porque a data limite não havia sido respeitada, mas concordaram que nenhuma sanção deveria ser imposta por essa razão”, explicou o presidente do organismo, Craig Reedie, em um comunicado publicado após a reunião deste comitê.

“Queremos que aqueles que trapacearam prestem contas. Esse era o objetivo da decisão do Comitê Executivo de setembro e espero que os atletas e os demais vejam que estamos progredindo nesse sentido”, acrescentou.

A Wada levantou a suspensão da Rusada em setembro, abrindo caminho para que os atletas russos retornem às competições depois que um relatório revelou um sistema de doping institucionalizado no país.

O Comitê Executivo, um órgão político composto por representantes dos governos e do movimento olímpico, seguiu as recomendações do independente Comitê de Revisão de Cumprimento (CRC), que havia se reunido nos dias 14 e 15 de janeiro, explicou o comunicado.

A Wada lembrou, no entanto, que a Rusada vai ficar sob vigilância e que deverá entregar até o dia 30 de junho as provas requeridas para suas reanálises.

O diretor da Rusada, Iouri Ganous, comemorou a decisão assim que foi anunciada.

“Podemos seguir o trabalho, passar à segunda etapa. Hoje nós trabalhamos. Nossos atletas poderão participar (nas competições), nenhuma sanção será tomada contra eles (…) Temos ainda um trabalho essencial pela frente. É um longo processo”, explicou o diretor em entrevista coletiva.

– “Mais trapaceiros ou inocentes” –

A Agência Antidoping havia anunciado no último dia 20 de setembro que ia cancelar a suspensão da Rusada, em vigor desde 2015, sob condições estritas. Entre elas, a recuperação de milhares de dados registrados entre 2011 e 2015, no centro do escândalo, e que deviam ser entregues antes do fim de 2018.

“Agora passamos à segunda fase desta decisão: autenticar os dados do antigo laboratório com o objetivo de utilizá-los para flagrar atletas trapaceiros ou para inocentar outros”, acrescentou Ganous.

Em dezembro, uma delegação da Wada em Moscou não teve acesso aos testes do laboratório antidoping “por uma questão apresentada pelas autoridades russas, exigindo que a equipe utilizada para o colhimento dos dados atendesse à legislação russa”.

As críticas à decisão da Wada não demoraram a chegar.

“Obviamente, precisamos de uma mudança em um sistema global que responsabiliza os atletas mas permite aos países corromper os Jogos Olímpicos e cometer fraudes massivas contra os atletas e o público”, explicou o presidente da Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada), Travis T. Tygart em um comunicado.

No mês passado, o órgão que rege o atletismo mundial (IAAF) manteve o veto à Rússia devido à polêmica do doping institucionalizado.

A equipe russa de atletismo não pôde participar dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016 e também ficou fora do Campeonato Mundial da IAAF em Londres um ano depois.

Mas alguns atletas russos foram autorizados pela IAAF a competir como neutros após cumprir os critérios de elegibilidade excepcionais e passar por testes antidoping transparentes.

O COI cancelou a suspensão à Rússia no final dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyongyang.

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