Brasil

“Vou extinguir o Ministério da Fazenda”

O economista e candidato do PSC ao Planalto, Paulo Rabello de Castro, promete cortar na própria carne, caso seja eleito. Além de reduzir o número de ministérios, pretende abrir mão do salário de presidente da República e acabar com o instituto da reeleição

Crédito: Gabriel Reis

AFIADO Paulo Rabello não poupou nem o governo do qual participou, ao dizer que, apesar da PEC dos Gastos, as despesas públicas fugiram do controle (Crédito: Gabriel Reis)

O economista Paulo Rabello de Castro, 69 anos, pré-candidato à Presidência da República pelo PSC, não tem papas na língua. Mesmo quando era presidente do IBGE e depois do BNDES, ambos os cargos no governo Temer, dizia o que pensava e criticava, sempre que podia, a equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Ainda no cargo de presidente do banco público, em outubro do ano passado, Paulo Rabello entrou em choque com Meirelles ao contestar a política de juros reais, afirmando que a taxa era “pornográfica no Brasil”. Ao mesmo tempo, recusou-se a devolver R$ 130 bilhões da dívida do BNDES aos cofres do Tesouro como determinava o então ministro, que também é pré-candidato a presidente pelo MDB. Outro ponto de atrito entre Paulo Rabello e os técnicos do governo Temer era quanto à necessidade da reforma tributária. Ele insistia na urgência de mudanças na política dos tributos, afirmando que vivíamos num “manicômio tributário”, onde os pobres pagam mais impostos do que os ricos. Mas, se o governo não fez a reforma tributária, agora ele a inclui como uma das 20 medidas prioritárias, caso seja eleito.

AS METAS O ex-presidente do BNDES debateu suas propostas de governo com os jornalistas de ISTOÉ por quase duas horas (Crédito:Gabriel Reis)

Formado em Economia e Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Paulo Rabello ainda disse em entrevista à ISTOÉ que, se alcançar o Planalto, não vai terceirizar a função de economista. Pretende extinguir o Ministério da Fazenda. Também promete abrir mão do salário de presidente da República. “Ele já come de graça, anda de avião para tudo quanto é lugar de graça”, justificou.

Conhecido pelas ideias liberais, ele, no entanto, não defende a privatização a torto e a direito. Autor de vários livros, como “Lanterna na Proa”, Rabello acha que estatais, como a Petrobras e Eletrobrás, precisam primeiro ser rentabilizadas e, depois, ter o capital aberto ao maior número de pessoas da sociedade. Para ele, essas empresas são “do povo brasileiro”. O presidenciável propõe uma revisão da Constituição para implementar as mudanças necessárias ao desenvolvimento do País e, desde já, garante ser contra a reeleição. “Quatro anos são suficientes para mudarmos o Brasil”.

O que levou o senhor a entrar na corrida presidencial?

Tenho observado o Brasil há quase 50 anos. Tenho visto que o País pretende de fato ingressar na modernidade no século 21, mas sem deixar ninguém para trás. Porém, enxergo que, na política em geral, no seu programa de governo, o País tem frustrado essa legítima ambição. E eu acho que sei fazer. Durante muitos anos, liderei grupos que ajudavam a formular planos de governo para outros candidatos. Agora não terceirizei. Dessa vez, vou eu mesmo. Esse convite do PSC é para valer. Temos o melhor plano para oferecer, com 20 metas que, de fato, podem mudar o País. A 20ª meta desse plano é uma revisão constitucional, com a amplitude que deve ter.

O senhor foi presidente do IBGE, do BNDES no governo de Michel Temer. O senhor pretende defender o presidente em seu palanque?

Acho que isso não virá à baila. Eu não faço parte desse legado. O legado é do IBGE, onde deixamos lá o censo agropecuário, que foi uma extraordinária conquista. Mas isso, na verdade, é um legado do Paulo Rabello.

Uma das bandeiras que o senhor defende é a reforma tributária. Como será essa reforma, numa eventual vitória sua nas eleições?

Fui para o IBGE, onde havia uma pauta secundária até para o presidente Temer, que era ajudar a debater e fazer avançar a reforma tributária. O que observei é que o governo, de fato, ao votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Gastos e não incluir a reforma tributária na pauta, ou seja, fazer a barba, cabelo e bigode, desperdiçou a votação. Foi um desperdício de votos. O que se produziu, a meu ver, não viabilizou nem o controle dos gastos públicos, que está fugindo ao controle.

Ao criticar o governo Temer, recentemente, o senhor repetiu a frase do ex-presidente americano Ronald Reagan de que o “governo é o centro dos nossos problemas”. Qual é a solução?

Simplificar o governo. Tornar esse governo legitimado por que paga a conta do governo. O povo brasileiro hoje está sendo escorchado por essa máquina. O pobre do cidadão sabe que pagou imposto por aquele serviço, sabe que está sendo enganado. Mas não sabe nem quem o enganou, porque, tomando o exemplo de um condomínio, somos administrados por três síndicos: municípios, estados e Governo Federal. No caso da Saúde, fica difícil até de a gente reclamar. Em que guichê reclamar? O povo brasileiro foi largado.

Nessa linha de menos governo, o senhor promete extinguir o Ministério da Fazenda se eleito. Como funcionaria?

Sim. Vou extinguir o Ministério da Fazenda. E isso é simples: essas tarefas operacionais, que é cuidar do Tesouro, da arrecadação, cabem perfeitamente dentro de um único ministério, como, por exemplo, o do Planejamento. Por quê? Porque a relevância é o planejamento. O governo é bipolar. O ministério de arrecadação não tem nenhum plano de governo. E o ministro da Fazenda tira uma onda de que ele é relevante. Uma ideia de que ocupa espaço no imaginário. Em vez de ele estar pensando o caminho do Brasil, pensa no que vai arrecadar no mês.

O problema da Previdência Social está em qual posição na sua lista de prioridades?

Para mim, é um problema de primeira grandeza. Está envolvido no âmbito tributário porque não deixa de ser uma contribuição de caráter fiscal. Nossa proposta é transformar a Previdência Social num verdadeiro produto previdenciário que tenha atratividade. O governo tem ativos: Petrobras, Eletrobrás. Na medida em que a gente conseguir transitar o pecúlio para um grande fundão previdenciário, vamos repor esses ativos. Esse fundo vai modificar completamente a maneira das pessoas verem o processo. Elas acham que estão pagando um imposto, mas vão perceber que estão diante de uma poupança. Vou fazer uma declaração bombástica: a poupança é o setor mais estatizado da economia brasileira. Ela é usada para custear e não para investir. E pouca gente enxerga isso. Hoje você é obrigado a portar 8% de todos os salários para um FGTS. Não há uma alternativa mais inteligente? Ninguém pergunta. São tantas as invasões do direito do cidadão de poupar.

A que o senhor atribui esse alto índice de nulos e indecisos?

Hoje estamos sendo dominados pelo o que o povo considera gente abaixo de qualquer expressão de honorabilidade e de decência. No entanto, reconheço que há políticos decentes. Mas esse conjunto da obra que é ruim, interesseiro. Para isso é que defendo que venha gente de fora. Mas o Brasil não tem tempo para pagar alguém para fazer universidade de presidente. Porque o tempo no governo é muito escasso, principalmente, para quem não quer esticar o mandado. Quatro anos são mais que suficientes, sem reeleição.

Seu partido tem nove representantes da Câmara e, provavelmente, até a sua eleição, não vai ter grande maioria no Congresso. Como o senhor pretende fazer essas mudanças sem uma base forte, por meio do toma lá dá cá?

Toma lá dá cá é coisa do passado. O País vai votar naquilo que já está sendo apresentado. Que a população anseia. Aí, pouco importa se a gente é de um partido que tenha mais ou menos deputados.

O Estado gasta muito e não atende a população. Como equilibrar isso?

A questão é: como eu vou fazer para não gastar tudo o que arrecado no custeio? Controlando o desperdício de recursos públicos. Mas é preciso gestão. Uma PEC que apenas controla o gasto não é suficiente. Nosso programa prevê um limitador universal de despesa (LUD). Nada vai cair de valor. Vamos conter. O truque é que o LUD cai sobre todos os itens. Só não na rubrica do investimento. Salário do presidente da República, este será cortado. Já come de graça, anda de avião para tudo quanto é lugar de graça. Não precisa. Quando estivermos equilibrados, ele começará a ganhar.

O governo do senhor continuará com essa enorme quantidade de estatais? O que o senhor acha da privatização da Petrobras?

Nem com essa enorme, nem com pequena quantidade. O principal problema de uma estatal é a falta da competição no sistema em que está inserida. O problema da Petrobras é menos ela ser estatal e mais o fato de não haver contraste com ela. Não tem a Petrobras dois ou B. A falta de concorrência está na essência da nossa dificuldade de crescer. Segundo passo: nós temos de capitalizar nosso fundo previdenciário. Eu preciso ter o preço máximo com essas estatais. Mas não podemos sair por aí vendendo. Então, sugiro fazer o mesmo que fizemos com o BNDESPar. A fusão da Fibria com a Suzano. Não são empresas estatais, mas tinha dinheiro estatal lá dentro. O patrimônio do BNDESPar ainda foi valorizado com cerca de 11%. O Brasil é corrupto. É perdulário. Joga dinheiro pela janela. Acho que, em 2022, no quarto ano de governo, vamos fazer o que se fizeram em Singapura: devolver em cheque o imposto de renda.

O senhor entoa um libelo anticorrupção, mas o presidente do seu partido, pastor Everaldo, foi acusado de receber dinheiro do Eduardo Cunha, de receber R$ 6 milhões da Odebrecht. Isso não lhe causa constrangimento?

Acho que a lei é para todos. Não devemos especular. O Pastor Everaldo deve estar preparado para responder aos questionamentos da Justiça.

Setores militares estão participando mais ativamente das discussões políticas. Vários candidatos foram convidados para conversar com a caserna. O senhor já foi convidado?

No meu caso, eu não fui convidado pelo general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército. Eu que me antecipei. Pedi para fazer uma visita ao general. Eu queria mais informação sobre dois itens mais importantes do nosso plano de governo: o projeto integridade, que trata justamente da unidade territorial e da preservação do território amazônicos, e a preservação de fronteiras. Mas concordo plenamente com essa atitude democrática de envolver os militares no debate.

O senhor é contra ou a favor do aborto, da descriminalização das drogas e do casamento gay?

São três temas controversos dentro da vida individual. O governo tem que ter uma certa disciplina política de Estado. O que a legislação já hoje estabelece, no caso do aborto, e suas exceções, já está mais que bem contemplado. O que a gente defende, como partido, é a família tradicional. Porque é o caminho do centro. Na questão das drogas, só quem ainda não teve um problema de um drogado em sua família é que quer flexibilizar esse tema.

O senhor defende a pena de morte?

O Partido Social Cristão defende a vida, desde a sua concepção. Não podemos assumir aqui somo capazes de tirar a vida do outro. Defendemos que um homicida perca sua liberdade, sem comutação de pena e que pague o resto da vida indenização aos familiares. É preciso que haja trabalho na cadeia. Isso é o que mata a corrupção.

Veja a opinião do pré-candidato sobre as Forças Armadas:

Assista a entrevista completa com o pré-candidato

Istoé ao Vivo Especial-Sabatina com Paulo Rabello pré-candidato à presidência pelo PSC

Istoé ao Vivo Especial-Sabatina com Paulo Rabello pré-candidato à presidência pelo PSC

Posted by Revista ISTOÉ on Monday, June 25, 2018

Participaram da sabatina os jornalistas: Carlos José Marques, Camila Srougi, Celso Masson, Cláudio Gradilone, Gabriel Baldocchi, Germano Oliveira e Sérgio Pardellas

LEIA A ÍNTEGRA DA SABATINA COM PAULO RABELLO DE CASTRO

 O que levou o senhor a entrar na corrida presidencial?

Tenho observado o Brasil há quase 50 anos. Tenho visto que o País pretende de fato ingressar na modernidade no século 21, mas sem deixar ninguém para trás. Porém, tenho visto que, na sua política em geral, no seu programa de governo, o País tem frustrado essa legítima ambição. E eu acho que sei fazer. Durante muitos anos, liderei grupos que ajudavam a formular planos de governo para outros candidatos. Agora não terceirizei. Dessa vez, vou eu mesmo. Esse convite do PSC é para valer. Temos o melhor plano para oferecer, com 20 metas que, de fato, podem mudar o País. A 20ª meta desse plano é uma revisão constitucional, com a amplitude que deve ter.

 O senhor tem uma origem na formulação de propostas econômicas. É isso que lhe motivou?

As contribuições que temos dado ao longo do tempo têm tido de fato mais uma abordagem econômica por causa da nossa especialização. Eu me considero uma espécie de reserva técnica no País, porque, até recentemente, eu estava no setor privado, na academia. Era professor, consultor de empresa. Jamais havia pisado no campo do setor público até aceitar o convite em 2016 para presidir o IBGE. Isso ampliou o escopo daquilo que considera a fórmula necessária para o País de fato se movimentar.

 O senhor foi presidente do IGBE, do BNDES no governo de Michel Temer. O senhor pretende defender o presidente Michel Temer em seu palanque?

Acho que isso não virá à baila. Eu não faço parte desse legado. O legado é do IBGE, onde deixamos lá o censo agropecuário, que foi uma extraordinária conquista. Mas isso, na verdade, é um legado para o Paulo Rabello.

 Uma das bandeiras que o senhor defende é a reforma tributária. Como será essa reforma, numa eventual vitória sua nas eleições, e como o senhor fará para que ela seja aprovada no Congresso, que é a parte mais difícil hoje?

Fui para o IBGE, onde havia uma pauta secundária até para o presidente Temer, que era ajudar a debater e fazer avançar a reforma tributária. O que observei é que o governo, de fato, ao votar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Gastos e não incluir a reforma tributária na pauta, ou seja, fazer a barba, cabelo e bigode, desperdiçou a votação. Foi um desperdício de votos. O que se produziu, a meu ver, não viabilizou nem o controle dos gastos públicos, que está fugindo ao controle.

 A ideia do imposto único seria um caminho para estarmos em sintonia com o resto do mundo. É por aí que o senhor imagina uma reforma?
Com certeza. Mas, em vez de ser imposto único, deveria ser um único imposto. Devido à cada tipo de natureza de tributo. Se for a renda, tem que ter um único tributo sobre ela. Não se inventa, por exemplo, contribuição social sobre lucro líquido. E, se o imposto é sobre a circulação de bens e serviços, tem de ter um único imposto também, com uma única legislação nacional. Se isso for distribuído, como era antes, para União, estados e municípios, cada um com a sua cota-parte, o grande vencedor é o pagador de imposto.

 Quer dizer, a carga tributária cairá com esse modelo?

Já cairá pelo fator burocrático nela contido. Foi uma pena que, na virada de 2016, a tal equipe econômica não tenha se encantado por essa ideia. Essa reforma se faz na primeira hora.

 Aproveitando as críticas que o senhor fez ao governo Temer, recentemente o senhor repetiu a frase do ex-presidente americano Ronald Reagan, de que o “governo é o centro dos nossos problemas”, para se referir à gestão atual, qual é a solução?

Simplificar o governo. Tornar esse governo legitimado por que paga a conta do governo. O povo brasileiro hoje está sendo escorchado por essa máquina. O pobre do cidadão sabe que pagou imposto por aquele serviço, sabe que está sendo enganado. Mas não sabe nem quem o enganou, porque, tomando o exemplo de um condomínio, somos administrados por três síndicos: municípios, estados e Governo Federal. No caso da Saúde, fica difícil até de a gente reclamar. Em que guichê reclamar? O povo brasileiro foi largado. Agora, dia 30, ele sempre é lembrado, quando paga o imposto.

 Nessa linha de menos governo, o senhor promete extinguiu o Ministério da Fazenda se eleito. Como funcionaria?

Sim. Vou extinguir o Ministério da Fazenda. E isso é simples: essas tarefas operacionais, que é cuidar do Tesouro, da arrecadação, cabem perfeitamente dentro de um único ministério, como, por exemplo, o do Planejamento. Por quê? Porque a relevância é o planejamento. O governo é bipolar. O ministério de arrecadação não tem nenhum plano de governo. E o ministro da Fazenda tira uma onda de que ele é relevante. Uma ideia de que ocupa espaço no imaginário. Em vez de ele está pensando o caminho do Brasil, está pensando no que vai arrecadar no mês.

 O problema da Previdência Social está em qual posição na sua lista de prioridades e que ideia o senhor tem para solucionar o déficit originado pelas aposentadorias?

Para mim, é um problema de primeira grandeza. Está envolvido no âmbito tributário porque não deixa de ser uma contribuição de caráter fiscal. Nossa proposta é transformar a Previdência Social num verdadeiro produto previdenciário que tenha atratividade. O governo tem ativos: Petrobras, Eletrobrás. Na medida que a gente consiga transitar com o pecúlio para um grande fundão previdenciário, onde vamos repor com esse ativos. Esse fundo vai modificar completamente a maneira das pessoas que são pagadoras, que acham que estão pagando um imposto, vão perceber que estão diante de uma poupança. Vou fazer uma declaração bombástica: a poupança é o setor mais estatizado da economia brasileira. Ela é usada para custear e não para investir. E pouca gente enxerga isso. Hoje você é obrigado a portar 8% de todos os salários para um FGTS. Não há uma alternativa mais inteligente? Ninguém pergunta. São tantas as invasões do direito do cidadão de poupar.

 Qual seria sua proposta: revisar o FGTS?

Transformar gradativamente o sistema de FGTS para uma forma de livre escolha. Com isso, o mercado de capitais brasileiros florescerá. Isso dará um crescimento de 2,5% a mais que esse percentual de 1,5% a que estamos hoje reduzidos.

 Seu partido tem nove representantes da Câmara e, provavelmente, até a sua eleição, não vai ter grande maioria no Congresso. Como o senhor pretende fazer essas mudanças sem uma base forte, por meio do toma lá dá cá?

Toma lá dá cá é coisa do passado. O País vai votar naquilo que já está sendo apresentado. Que a população anseia. Aí, pouco importa se a gente é de um partido que tenha mais ou menos deputados.

 Num País que é comandado há muito tempo pelas chamadas coligações, essas alianças já são montadas previamente à entrada de um governo. O senhor, sabendo que esse caminha até o Planalto requer essas alianças, está se movimentando nesse campo: de se entender com os partidos?

Temos conversado com todo mundo. Já estamos fazendo uma política inovadora. Mas quem vier terá de cumprir rigorosamente o plano de 20 metas. Não concordo com a coalizão por antecipação.

 A que o senhor atribui esse alto índice de nulos e indecisos?

Hoje estamos sendo dominados pelo o que o povo considera gente abaixo de qualquer expressão de honorabilidade e de decência. No entanto, reconheço que há políticos decentes. Mas esse conjunto da obra que é ruim, interesseiro. Para isso é que defendo que venha gente de fora. Mas o Brasil não tem tempo para pagar alguém para fazer universidade de presidente. Porque o tempo no governo é muito escasso, principalmente, para quem não quer esticar o mandado. Quatro anos são mais que suficientes, sem reeleição.

 O senhor então não vai tentar uma reeleição?

Eu acho que é uma disciplina. Fiz o que tinha de fazer em 11 meses no IBGE, principalmente, quando a missão era impossível fazer o senso agropecuário sem verba, pois houve um corte do Governo Federal. Fui buscar emenda parlamentar.

 O Estado gasto muito e não atende a população. Como equilibrar isso?

A questão é: como eu vou fazer para não gastar tudo o que arrecado no custeio? Controlando o desperdício de recursos públicos. Mas é preciso gestão. Uma PEC que apenas controla o gasto não é suficiente. Nosso programa prevê um limitador universal de despesa (LUD). Nada vai cair de valor. Vamos conter. O truque é que o LUD cai sobre todos os itens. Só não na rubrica do investimento. Salário do presidente da República, este será cortado. Já come de graça, anda de avião para tudo quanto é de lugar de graça. Não precisa. Quando estivermos equilibrados, ele começará a ganhar.

 Os programas sociais são uma área de grande custeio do governo, como o Bolsa-Família, com o senhor fazer dentro dessa sua perspectiva?

Serão aperfeiçoados para estancarmos desvios. Tem gente que não precisava mais estar lá. Sou favorável ao Bolso-Família, mas não com é feito hoje. O que eu proponho é riqueza nas mãos das pessoas. Entrega de títulos. Não apenas um check-in. Existe muita pobreza no Brasil, mas tem de saber onde estão os mais pobres. Ali precisamente ajudar quem mais precisa.

 Como o senhor situa o caso invasões irregulares, de movimentos como o MTST, MST, que tem agido como terrorista, devido à tanta violência que eles cometem?

Não confundir a legalização de uma propriedade, que um dia foi uma ocupação e que se consolidou, com crime de quem toma terra de proprietários.

 O governo do senhor continuará com essa enorme quantidade de estatais? O que o senhor acha da privatização da Petrobras?

Nem com essa enorme, nem com pequena quantidade. O principal problema de uma estatal é a falta da competição no sistema em que está inserida. O problema da Petrobras é menos ela ser estatal e mais o fato de não haver contraste com ela. Não tem a Petrobras dois ou B. A falta de concorrência está na essência da nossa dificuldade de crescer. Segundo passo: nós temos de capitalizar nosso fundo previdenciário. Eu preciso ter o preço máximo com essas estatais. Mas não podemos sair por aí vendendo. Então, sugiro fazer o mesmo que fizemos com o BNDESPar. A fusão da Fibria com a Suzano. Não são empresas estatais, mas tinha dinheiro estatal lá dentro. O patrimônio do BNDESPar ainda foi valorizado com cerca de 11% que reteve da nova empresa. O Brasil é corrupto. É perdulário. Joga dinheiro pela janela. Acho que, em 2022, no quarto ano de governo, vamos fazer o que se fizeram em Singapura: devolver em cheque o imposto de renda.

 Como o senhor vai combater a corrupção?

A primeira corrupção de um governo é não apresentar um plano de governo. Ele sai do governo e não presta contas do que fez e o que não fez. Essa é a grande fonte de corrupção. Na área da segurança, eu defendo que bandido bom é na cadeia. E, se o crime for um homicídio premeditado, prisão perpétua com trabalhos para pagamento de indenização para a família da vítima.

 O senhor defende a pena de morte?

O Partido Social Cristão defende a vida, desde a sua concepção. Não podemos assumir aqui somo capazes de tirar a vida do outro. Defendemos que um homicida perca sua liberdade, sem comutação de pena e que pague o resto da vida indenização aos familiares. É preciso que haja trabalho na cadeia. Isso é o que mata a corrupção.

 O senhor entoa um libelo anticorrupção. O presidente do seu partido, pastor Everaldo, foi acusado de receber dinheiro do Eduardo Cunha, de receber R$ 6 milhões da Odebrecht. Isso não lhe causa constrangimento?

Acho que a lei é para todos. Não devemos especular. O Pastor Everaldo deve estar preparado para responder aos questionamentos da Justiça. Mas os processos investigativos que precedem a fase inicial, acho que o do Pastor está nessa fase, têm de ser os mais expeditos possíveis, com ampliação de número de servidores, para que não durem tempo demais.

 Qual é a solução que o senhor vê para esse plano do combate à violência?

Não sabemos quem são os encarcerados. As polícias não se falam. O Ministério da Segurança Pública é o exemplo mais cabal de que antes reinava o escuro. Temos de ter um sistema informacional, com gente trabalhando essas informações. Mas, principalmente, a valorização do policial. O presidente será o maestro em relação aos estados e os municípios. Em seguida, executar o maior programa de primeiro emprego e formação para o trabalho.

 A empresa que o senhor fundou foi citada numa investigação que apura irregularidade em fundos de pensão. No caso, a Postalis, dos Correios. O senhor pode comentar esse caso?

É normal que a imprensa trate uma pessoa que foi prestar esclarecimento à polícia como envolvida. A SR Rating é uma empresa de classificadora de risco de crédito. Por isso, nós fomos a Polícia Federal, levamos um calhamaço de documento para esclarecer o que significava nosso trabalho, que é identificar o risco de crédito. Mostrando quem falhou e quem merecia de fato uma algema.

 Setores militares estão participando mais ativamente das discussões políticas. Vários candidatos foram convidados para conversar com a caserna. O senhor já foi convidado? Qual seu plano dentro da área militar?

No meu caso, eu não fui convidado pelo general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército. Eu que me antecipei. Pedi para fazer uma visita ao general. Eu queria mais informação sobre dois itens mais importantes do nosso plano de governo: o projeto integridade, que trata justamente da unidade territorial e da preservação do território amazônicos, e a preservação de fronteiras. Mas concordo plenamente com essa atitude democrática de envolver os militares no debate.

 O controle de fronteiras é o principal papel militar?

Eu sou um segundo tenente. Então, não posso nem dizer que não sei o que fazem as Forças Armadas. Elas têm um papel fundamental que é a preservação da integridade territorial.

 Qual sua posição sobre a questão dessa imigração de venezuelanos no País?

Quem é irmão, se ajuda. E nós somos irmãos dos venezuelanos. Não endossar um estado de exceção. O Brasil deve ter um programa de absorção desses nossos irmãos venezuelanos. Uma dessas secretarias devia ser a Nacional de Imigração, para planejar a ocupação populacional. Se o Brasil é o que é hoje, bendito imigrante. A diversidade étnica é o que faz o diferencial. Nosso problema social é a falta de vergonha de não organizar nossa educação.

 Qual é o papel que o BNDES deve ter num eventual governo seu?

Multiplicar o número de crédito para micro, pequenas e médias empresas, de 300 mil hoje para três milhões. Embora isso ainda será insuficiente, pois temos uma demanda de cinco milhões. Do total da disponibilidade de recursos dentro do sistema bancário, 78,2% dos recursos são absorvidos pelo setor público, quando veria ser pelo setor privado, para empresas e famílias. Temos de fazer com que o BNDES seja um braço  auxiliar da inversão dessa estatística. O BNDESpar é o principal candidato a ser participante do fundão do INSS por sua bela carteira. O BNDES pode ajudar a democratizar o capital. Um banco do trabalhador brasileiro. Tem que investir em serviços ao exterior. Só porque alguém fez malandragem na Venezuela, lá em Cuba, não significa dizer que a gente participou.

 O senhor é contra ou a favor do aborto, da descriminalização das drogas e casamento gay?

São três temas controversos dentro da vida individual. O governo tem que ter uma certa disciplina política de Estado. O que a legislação já hoje estabelece, no caso do aborto, e suas exceções, já está mais que bem contemplado. O que a gente defendo, como partido, é a família tradicional. Porque é o caminho do centro. Só que ainda não teve um problema de um drogado em sua família é que quer flexibilizar esse tema. Como estado brasileiro, temos de tratar esse tema de forma dura.

 Por que o senhor acha que o eleitor deve votar no senhor para presidente?

Nós somos ótimos, mas pessimamente administrados. Você, que está pensando que não tem mais ninguém capaz disso, eu sei que tem. Eu sei o que eleitor quer. E sei fazer e, provavelmente, até melhor. Não tem conchavo, nem coalizão. Tem que obedecer o plano de governo com 20 metas. Entregar o jogo em quatro anos.