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Von der Leyen discursa para convencer Parlamento Europeu

Von der Leyen discursa para convencer Parlamento Europeu

Indicada a presidir a Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 16 de julho de 2019 - AFP

A conservadora alemã Ursula von der Leyen, que espera se tornar a primeira mulher presidente da Comissão Europeia, prometeu nesta terça-feira aos eurodeputados fazer do clima uma das grandes prioridades do seu mandato se for eleita.

Diante do lotado Parlamento Europeu em Estrasburgo, Ursula prometeu apresentar a proposta de um “Green Deal” (Pacto Verde) nos primeiros 100 dias de seu mandato, durante o debate na Eurocâmara antes da votação que deve confirmar seu nome para suceder o luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Próxima da chanceler alemã Angela Merkel, ela precisa obter a maioria absoluta de 374 votos para ser eleita.

A tarefa pode não ser simples, uma vez que muitos eurodeputados se frustraram com a maneira como ela foi indicada: após uma reunião de cúpula de três dias em Bruxelas, cheia de reviravoltas, os líderes da UE escolheram seu nome em 2 de julho, ignorando os candidatos apresentados pelo Parlamento Europeu.

Respondendo à mobilização nos últimos meses, principalmente dos jovens, pelo meio ambiente, ela prometeu propor “um pacto verde para a Europa em meus primeiros 100 dias de mandato”.

A luta contra a mudança climática se tornou um dos principais temas na campanha das eleições europeias de maio, após os protestos de estudantes para chamar a atenção sobre a “emergência climática”.

A ainda ministra alemã da Defesa explicou que, se for confirmada no cargo, apresentará “a primeira lei climática da história da União Europeia” para fixar a “meta legal de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

A ideia, no entanto, não é compartilhada por todos os países da UE. Em junho, quatro governantes do bloco, liderados por Polônia e Hungria, impediram a inclusão deste objetivo em uma declaração.

Von der Leyen abriu a porta para revisar a meta de redução das emissões de dióxido de carbono até 2030, atualmente em 40% na comparação com os níveis de 1990, para 50% ou inclusive 55%.

No discurso, Ursula von der Leyen também expressou a disposição de aceitar um novo adiamento da saída do Reino Unido da UE, prevista atualmente para 31 de outubro, se existir uma “boa razão”.

“Estou pronta para uma nova prorrogação da data de retirada, se for necessário mais tempo por uma boa razão”, declarou.

A saída do Reino Unido do bloco está prevista atualmente para 31 de outubro, que será a véspera da posse de Von der Leyen como presidente da Comissão Europeia, caso a alemã receba o apoio da Eurocâmara.

O Parlamento britânico rejeitou três vezes o acordo de divórcio, o que obrigou a primeira-ministra britânica, Theresa May, a pedir dois adiamentos da data e a apresentar o pedido de demissão.

O Partido Conservador deve designar no fim de julho o novo primeiro-ministro entre o ex-chanceler Boris Johnson e o atual secretário do Foreign Office, Jeremy Hunt.

Johnson, favorito para a sucessão, destacou a intenção de renegociar o acordo de saída, algo que a UE rejeita, e de retirar o país do bloco em 31 de outubro, mesmo sem acordo, um cenário temido por economistas.

Ursula também prometeu uma comissão paritária, uma legislação europeia sobre o asilo, o reconhecimento do direito de iniciativa da Eurocâmara, uma convenção para o futuro da Europa, um sistema de seguro desemprego europeu para ajudar os países em crise.