‘Você é preta e não aceita elogio?’; promotora é assediada durante corrida na Orla de Salvador

A promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia, Lívia Maria Sant’Anna Vaz, disse nas redes sociais nesta segunda-feira, 19, que foi ‘assediada e violentada’ durante uma caminhada pela Orla de Salvador.

“Cedinho eu saí para fazer uma corrida com uma amiga minha na Orla de Salvador. Quando nós iniciamos o aquecimento, ainda estávamos caminhando, um homem se aproximou por trás e começou a falar obscenidades”, relata a promotora em vídeo.

O Estadão pediu manifestação de Lívia, via assessoria do Ministério Público da Bahia. O espaço está aberto.

“Eu não sabia ainda se era comigo, com ela, conosco, então nós continuamos caminhando, até que ele ficou lado a lado comigo, se virou para mim e repetiu. Nesse momento eu olhei para ele e perguntei: é comigo que você está falando?”, segue o relato.

A reação do homem, segundo a promotora, foi ‘muito mais violenta que um assédio’.

“Então ele disse assim: você é preta e não vai aceitar um elogio meu? Qual é o problema em fazer um elogio?”, detalhou.

A promotora conta que voltou a se dirigir ao homem e pediu que ele se afastasse, afirmando que não o conhecia. Segundo ela, o estranho seguiu adiante, mas, durante cerca de cinco a sete minutos, passou a retornar repetidamente, virando-se para trás e dirigindo a ela palavras ‘em tom ameaçador’.

A promotora afirma que não era possível ‘compreender com clareza o que ele dizia’.”Até que, em dado momento, ele deu um soco violento numa lixeira dessas que ficam penduradas nos postes na cidade de Salvador”, segue Lívia.

“Será que se fosse uma mulher branca, ele teria reagido assim? Ele disse, você é preta, ou seja, eu posso, eu estou autorizado a lhe impor um elogio e você tem que aceitar. E quando não é aceito, esse homem reage com força bruta”, argumenta a promotora no vídeo.

“Eu só queria fazer minha corrida, começar a minha semana bem, mas eu precisei vir aqui para pedir que nós deixemos de naturalizar todo e qualquer tipo de violência contra as mulheres”, apela.

“Infelizmente, nós mulheres não estamos seguras em lugar algum.”