A atriz, poetisa e multi-instrumentista alagoana Vitória Rodrigues consolida sua trajetória na teledramaturgia brasileira com a estreia de “A Nobreza do Amor”, a nova novela das seis da TV Globo. Na trama, ela interpreta Dôra Lobo, a primeira-dama da cidade, uma personagem que traz para o centro do debate a identidade e o poder da mulher negra na década de 1920.
Dôra não é apenas uma figura de prestígio em Barro Preto, ela carrega as dores e as pressões estéticas de uma época. Um dos eixos centrais da personagem é o conflito em torno do alisamento dos cabelos como tentativa de aceitação social.
“É um marco ocupar esses espaços de poder na tela. Minha expectativa pra essa novela são imensas. É sem dúvida um marco para teledramaturgia brasileira contar essa história e poder dar voz e corpo a Dôra que é essa mulher negra é primeira dama da cidade na década de 20 é lindo demais”, comemora a atriz, em bate-papo para IstoÉ Gente.
“Minha personagem tem como conflito principal a questão de alisar os cabelos pra ser aceita na sociedade e tantos de nós já fizemos isso, tenho certeza que muita vai se identificar. Uma novela forte com assuntos delicados e que precisam ser falados. Trazer uma princesa negra para esse contexto é necessário. Precisamos cada vez mais nos enxergar em todos os espaços, principalmente o de poder. Estou muito feliz e completamente realizada em fazer essa obra com tanta gente incrível”, afirma Vitória.
Na novela escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr, Vitória faz par romântico com Fábio Lago, que interpreta o prefeito da cidade fictícia de Barro Preto, no Rio Grande do Norte, no Nordeste brasieliro, onde se desenrola a trama central da nova produção global.
“O elenco é muito potente, trazer uma princesa negra para esse contexto é necessário. Precisamos cada vez mais nos enxergar em todos os espaços, principalmente o de poder. Estou muito feliz e completamente realizada em fazer essa obra com tanta gente incrível”, declarou.
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Versatilidade artística: música, teatro e literatura
Natural de Alagoas, a caminhada de Vitória até o reconhecimento nacional foi marcada por resiliência. Formada em Educação Física, ela utilizou a profissão para custear seus estudos de teatro à noite na tradicional Martins Penna, no Rio de Janeiro. Durante os fins de semana, trabalhava com festas infantis para se manter na capital fluminense.
Vitória revela o começo de tudo longe de casa. “Foi um processo muito difícil, sofri muito de saudade da minha família e com as dificuldades que tem quem sai de sua terra e passa a morar em um lugar completamente desconhecido. Sou formada em educação física então trabalhava de dia e estudava teatro a noite, fim de semana fazia festa infantil para poder me manter no Rio que é muito caro”, relembra ela.
A virada de chave aconteceu, segundo ela, aconteceu durante a pandemia. Ao retornar para sua terra natal e transformar as redes sociais em seu palco — onde hoje soma mais de 340 mil seguidores — a visibilidade de suas poesias e cordéis rendeu o convite para o programa Cordel da Gente (GNT), o qual ela roteirizou e apresentou diretamente de Alagoas.
“Na pandemia quando voltei pra Alagoas e comecei a postar os vídeos nas redes sociais foi que surgiu o convite para fazer o programa e foi incrível porque fiz tudo na minha terra, escrevi e gravei o programa, passei tanto tempo esperando que isso acontecesse no Rio e quando a chave virou foi na minha terra, isso foi muito significativo e me deu mais confiança pra acreditar que não é sobre onde a gente tá, mas sobre o quanto acreditamos em nossa arte e continuamos fazendo ela”, observou.
A atriz fala da importância da poesia em sua vida e sobre a receptividade do público com sua arte. “A poesia que trouxe um público maior para perto de mim, na pandemia postava vídeos recitando porque a tela era o palco possível e foi lindo ver minhas poesias ganhando o mundo e as pessoas poderem ver minha arte independente de onde estivessem. Hoje em dia recebo muito carinho das pessoas tanto pela tela quanto na rua e isso é muito gratificante”, diz.
Vitória é uma artista completa, cuja musicalidade e olhar poético guiam sua atuação. No Teatro, venceu o Prêmio CBTIJ 2023 de Melhor Atriz Coadjuvante por “Gagá”. Destacou-se também como dramaturga e compositora nas peças “Nossas Bocas Não Foram Feitas só para Sorrir” e “Di Cabrobró”.
Na Música, foi integrante do grupo Forrozinas, a multi-instrumentista lançou o show solo “Tanto Canto, Quanto Conto” e singles como “Agradeça” e “Muito prazer, eu sou mulher”.
“A música é um ponto muito importante em minha vida, essa relação com o ritmo e com os instrumentos me ajuda na composição de cada personagem, ainda que eu não toque ou cante, ter isso dentro de mim é importante demais e sem dúvidas faz a diferença em minha presença no palco e na troca com o público”, revela a artista.
Na TV, ela acumula passagens marcantes em “Vai na Fé” (2023) e “No Rancho Fundo” (2024), todas na TV Globo. Sobre atores nordestinos estarem conquistando cada vez espaço em produções audiovisuais de grande importância é um fruto de muito trabalho e autenticidade. “Ser nordestina é o combustível de minha arte. Isso não me limita, só me impulsiona na verdade de cada personagem e no meu olhar poético para o mundo”, reflete.
E complementa. “Ser alagoana e nordestina é um ponto chave no fazer da minha arte desde a escrita a atuação, acho que tudo faz parte da minha essência, de quem eu sou de dentro pra fora e isso não me limita só me impulsiona na verdade do fazer de cada personagem e no meu olhar poético pro mundo. Está tudo ligado e isso é lindo”.
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