Vítimas de Epstein processam governo e Google por exposição

Departamento de Justiça falhou em censurar nomes em milhões de arquivos; Google mantém informações online

Jeffrey Epstein em foto enviada à AFP em 10 de julho de 2019 - Florida Department of Law Enforcement/AFP/Arquivos
Jeffrey Epstein em foto enviada à AFP em 10 de julho de 2019 Foto: Florida Department of Law Enforcement/AFP/Arquivos

Vítimas do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein entram com uma ação judicial contra o governo dos Estados Unidos e o Google. O processo é motivado pela divulgação de suas identidades em uma vasta quantidade de documentos publicados online pelo Departamento de Justiça, sem a devida censura dos nomes das sobreviventes. A falha expôs as vítimas a renovados traumas e ameaças.

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O que aconteceu

  • Vítimas de Jeffrey Epstein processam o governo dos EUA e o Google por expor suas identidades em documentos públicos.
  • O Departamento de Justiça publicou mais de 3 milhões de arquivos, mas não censurou os nomes de quase 100 sobreviventes.
  • O Google é acusado de continuar exibindo as informações pessoais das vítimas em resultados de busca e conteúdo de IA.

O Departamento de Justiça revelou a identidade de quase 100 sobreviventes do predador sexual, ao tornar públicas suas informações privadas e identificá-las ao mundo. Essa divulgação ocorreu em janeiro, quando o departamento publicou mais de três milhões de arquivos relacionados à investigação sobre o ex-financista, que também ajudaram a estabelecer seus vínculos com diversas personalidades.

A inércia do Google diante da exposição

Mesmo após o governo reconhecer que a divulgação violava os direitos das sobreviventes e ter retirado as informações, plataformas como o Google persistem na publicação contínua. A empresa tem rejeitado os apelos das vítimas para a remoção desses dados sensíveis de seus serviços.

Documentos judiciais indicam que o Google não apenas exibe as informações pessoais das vítimas nos resultados de suas buscas, mas também em conteúdo gerado por inteligência artificial, agravando a situação das sobreviventes. Além disso, repórteres do jornal The New York Times descobriram dezenas de fotos de pessoas nuas com os rostos das vítimas nos arquivos divulgados.

Quais as consequências para as vítimas?

Jeffrey Epstein foi condenado em 2008 por solicitar favores sexuais de menores de 14 anos. Ele morreu na cela de uma prisão em Nova York em 2019, antes de ser julgado por acusações de tráfico sexual. Apesar de sua morte, as consequências de seus crimes e a exposição de suas vítimas permanecem.

A ação judicial detalha que as sobreviventes enfrentam agora um trauma renovado. Elas recebem telefonemas e e-mails de desconhecidos, têm sua segurança física ameaçada e são acusadas de conspirar com Epstein, quando, na realidade, são suas vítimas. A ação busca reparação e proteção contra essa invasão de privacidade continuada.

* Com informações da AFP