Vitamina C mostra benefícios ao cérebro, aponta estudo

Pesquisa japonesa com idosos correlaciona o micronutriente à melhor integridade estrutural e funcionamento neuronal

Vitamina C mostra benefícios ao cérebro, aponta estudo

Uma pesquisa recente publicada no periódico PlosOne aponta que a vitamina C pode ter impactos positivos na saúde cerebral, revelando uma correlação entre o micronutriente e a melhoria da integridade estrutural e funcionalidade neuronal. Cientistas japoneses conduziram o estudo, analisando dados de mais de 2 mil idosos para investigar essa relação.

  • Um estudo publicado no PlosOne sugere que a vitamina C está ligada a maior integridade estrutural do cérebro e melhor funcionamento neuronal.
  • A pesquisa transversal foi realizada com 2.044 idosos no Japão, analisando exames de ressonância magnética e níveis sanguíneos do nutriente.
  • Especialistas ressaltam que, embora a correlação seja observada, o estudo não comprova a eficácia de suplementos e reforça a importância de uma alimentação balanceada.

Para investigar essa relação, os cientistas japoneses analisaram exames, como a ressonância magnética, além das taxas do nutriente no sangue, em 2.044 idosos. Por se tratar de um estudo transversal, ou seja, de uma pesquisa que avalia dados de um grupo em uma conjuntura específica, ela ajuda a formular hipóteses, mas não traz comprovação. É como se fosse um retrato daquele instante.

“Possivelmente parte dos participantes já apresentava estilo de vida saudável, com um cardápio equilibrado, proporcionando bons níveis da vitamina no momento dos exames”, diz o nutrólogo Celso Cukier, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Como a vitamina C atua no organismo?

A vitamina C, também chamada de ácido ascórbico, faz parte da categoria das hidrossolúveis, o que significa que se dissolve em água, é absorvida pelo organismo e o excedente é eliminado pela urina. Inclusive, o excesso está associado ao aumento do risco de cálculo renal. Diferente das vitaminas lipossolúveis, estocadas no nosso corpo, as hidrossolúveis devem ser consumidas continuamente, no equilíbrio, sem exageros.

Cukier salienta que, embora o estudo aponte a correlação, os resultados não servem para atestar o uso de suplementos de vitamina C em prol do cérebro. Lembrando que um único nutriente não assegura benesses isoladamente; tudo depende do contexto. “A recomendação é a de investir em alimentação rica em frutas, hortaliças, grãos, entre outros itens que oferecem substâncias antioxidantes e efeitos protetores”, diz o médico.

Existem evidências, vindas de diversas pesquisas, de que compostos antioxidantes são essenciais ao funcionamento cerebral e na redução do risco de males como o Alzheimer. “O cérebro é um órgão muito ativo metabolicamente, são diversas reações acontecendo, e isso contribui para a produção de radicais livres”, comenta a nutricionista Lara Natacci, que investigou a relação entre alimentação e saúde mental para seu pós-doutorado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Sabe-se que quantidades excessivas dessas moléculas podem favorecer danos e comprometimento cognitivo.

Quais outros antioxidantes são importantes?

Junto da vitamina C, vale incluir no cotidiano outros elementos antioxidantes, caso dos carotenoides, presentes na cenoura, tomate, espinafre, assim como os polifenóis das uvas, açaí, jabuticaba, maçã, café e chá-verde, por exemplo. Acrescentam-se à lista as vitaminas A e E, da gema de ovo, da abóbora, do azeite de oliva e das nozes, e ainda os sais minerais como selênio e zinco, que aparecem nas castanhas e nos frutos do mar. Todos eles ajudam a neutralizar os radicais livres, reduzindo processos oxidativos e colaborando para a manutenção das funções neuronais.

Além da ação antioxidante, a nutricionista comenta que a vitamina C, vinda da alimentação, participa da produção dos neurotransmissores (mensageiros químicos responsáveis pela comunicação entre os neurônios) e contribui para a integridade dos vasos sanguíneos, ajudando a preservar o órgão.

Além do cérebro: outros benefícios da vitamina C

Saindo da saúde mental, cabe destacar que o micronutriente é essencial para a síntese do colágeno, proteína responsável pela firmeza e sustentação da pele, e compõe outros tecidos, inclusive os ossos. A vitamina melhora o aproveitamento do ferro obtido de vegetais e, assim, é considerada aliada na redução do risco de anemia. Ela ajuda a transformar o mineral do tipo férrico em ferroso, tornando-o também mais solúvel e facilitando a captação pelas células do intestino.

“Também favorece o sistema imunológico, mas isso não significa que doses altas vão turbinar a imunidade”, ressalta a nutricionista.

Exageros, aliás, podem desencadear efeitos pró-oxidantes. Para não faltar no dia a dia, caprichar no consumo de cítricos é uma boa pedida, mas eles não são os únicos. “Acerola, caju, goiaba, morango, mamão são exemplos de frutos que fornecem”, lista a especialista da USP. Pimentão, couve, brócolis, tomate e salsinha são outras opções. O ideal é consumi-los in natura, já que o calor acelera processos oxidativos, favorecendo perdas.

Sobre sucos, uma dica é tomar rapidamente, mas, se não for possível, manter a bebida na geladeira, em recipiente escuro, ajuda a preservar o nutriente. A sugestão é variar as receitas e as fontes, garantindo mais sabores ao cotidiano.