Estudo sugere que padrões de vitamina B12 para idosos estão defasados

Pesquisa alerta que a avaliação atual não garante proteção neurológica adequada e sugere risco de doenças neurodegenerativas

Estudo sugere que padrões de vitamina B12 para idosos estão defasados

Um estudo recente da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revela que os parâmetros para avaliar os níveis de vitamina B12 no sangue podem estar defasados, especialmente para idosos. Publicado na revista Annals of Neurology em fevereiro, o trabalho analisou 231 idosos saudáveis e identificou que mesmo aqueles com níveis considerados normais da vitamina apresentavam alterações neurológicas perceptíveis. Essa descoberta alerta para um risco elevado de deficiência de vitamina B12 em idosos, exigindo uma reavaliação dos métodos de diagnóstico para prevenir problemas de saúde.

O que aconteceu

  • Estudo questiona os parâmetros de vitamina B12 para idosos, indicando que níveis considerados “normais” podem ser insuficientes para proteger a saúde neurológica.
  • Pesquisadores identificaram que a proporção de B12 inativa pode ser tão prejudicial quanto a deficiência geral, aumentando o risco de microlesões cerebrais e doenças neurodegenerativas.
  • Especialistas ressaltam a importância de exames mais específicos, monitoramento e suplementação da vitamina, sob orientação médica, para idosos.

A vitamina B12 é essencial para o funcionamento do sistema nervoso e para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue. Ela não é produzida pelo organismo e pode ser obtida na alimentação, especialmente a partir da ingestão de carnes, ovos e peixes. Entretanto, os padrões que estabelecem se estamos consumindo níveis satisfatórios do nutriente podem estar defasados, especialmente para a população idosa.

Há dois componentes distintos na B12 que circula no sangue: a holotranscobalamina, mais ativa e melhor aproveitada pelo organismo, e a holo-haptocorrina, inativa e, portanto, menos eficaz. Segundo o estudo, idosos com menos B12 ativa sofrem mais com menor velocidade de processamento cerebral e atraso na percepção visual, por exemplo.

Por que a avaliação padrão pode falhar?

Exames complementares realizados com os voluntários com esse resultado revelam que eles tinham um maior volume de microlesões na substância branca do cérebro e concentrações maiores de proteína tau no sangue. Esse marcador está relacionado a um maior risco de desenvolver doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.

Segundo o artigo, ter uma proporção maior de B12 inativa pode ser tão prejudicial quanto ter uma deficiência na ingestão dessa vitamina. Portanto, estar na faixa normal apontada pelos exames comuns pode não garantir a proteção neurológica adequada para idosos. Nesses casos, podem ser indicados exames mais específicos, que permitam dosar os níveis de atividade da B12.

Esses achados alertam para a importância de monitorar os níveis do nutriente e, quando necessário, suplementar. “É importante termos essa atenção especialmente com os pacientes idosos que têm uma percepção geral negativa de suplementos, mas eles podem ser muito importantes para evitar problemas de saúde, ainda mais em uma idade em que a alimentação costuma ficar comprometida”, afirma a geriatra Tatianna Rozzino, do Einstein Hospital Israelita.

O impacto da alimentação na saúde do idoso

Mudanças sociais e físicas do envelhecimento muitas vezes comprometem a dieta dos idosos, e isso também deve ser considerado para evitar deficiências nutricionais. “No caso da B12, cuja origem está especialmente em proteínas animais, devemos pensar que esses são alimentos difíceis de mastigar, que precisam de uma musculatura e uma dentição fortes e deixam muitas vezes de ser consumidos”, observa Rozzino. O apetite também diminui com a idade, assim como a disponibilidade para cozinhar. “Muitos passam o dia ingerindo apenas leite, pão e lanches leves, o que deve ser uma preocupação”, destaca a geriatra.

Acompanhamento médico é crucial

Mas a ideia não é alterar a dieta dos idosos por conta própria. Qualquer mudança ou suplementação só deve acontecer com orientação de um profissional de saúde. E isso vale inclusive para alimentos proteicos. Embora eles sejam essenciais para manutenção da massa muscular e, em alguns casos, também forneçam B12, o acompanhamento médico e nutricional é essencial. “A alimentação adequada e o acompanhamento médico constante continuam sendo a melhor resposta para ter uma dieta e um cérebro saudáveis ao longo do envelhecimento”, orienta a médica do Einstein.

Da IstoÉ com Agência Einstein