Visita de delegação dos EUA à Patagônia gera críticas na Argentina

A visita de legisladores dos Estados Unidos a Ushuaia, a cidade mais austral da Argentina, gerou nesta segunda-feira críticas ao governo do presidente Javier Milei por um possível interesse geoestratégico de Washington no Atlântico Sul.

A chegada de um avião oficial americano à capital da província de Terra do Fogo, um polo turístico, mas também de importância estratégica por sua proximidade com a Antártida, alimentou a suspeita de que Milei, um aliado próximo do presidente Donald Trump, busca instalar na região uma base naval conjunta com os Estados Unidos.

Trata-se de uma delegação bipartidária do Comitê de Energia e Comércio da Câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos, informou à AFP o escritório de imprensa da Embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires, sem divulgar os nomes dos parlamentares.

Segundo a imprensa local, os congressistas viajaram à Patagônia argentina em um Boeing C-40 Clipper da Força Aérea dos Estados Unidos.

A missão “inclui reuniões com funcionários governamentais e atores-chave para abordar a degradação de ambientes naturais, a tramitação de licenças para a gestão de minas e resíduos, o processamento de minerais críticos, a pesquisa em saúde pública e a segurança médica”, detalhou a embaixada.

O secretário jurídico de Terra do Fogo, província governada pela oposição peronista de esquerda, Emiliano Fossatto, disse à emissora Radio 10 que a visita “gerou muito barulho e muitas inseguranças” e que não houve comunicação prévia nem posterior às autoridades locais.

“Não é menor a geolocalização que tem o porto de Ushuaia, é a porta de entrada para a Antártida (…) uma via navegável comercial e turística, certamente pode haver outro interesse” na visita, acrescentou Fossatto.

A senadora nacional Cristina López, também opositora a Milei, publicou um documento na rede X no qual exige explicações do Executivo sobre a chegada desse avião “sem informação oficial” e “sem esclarecer o que querem fazer com nossa Base Naval Integrada”.

“Terra do Fogo não é uma base militar estrangeira”, acrescentou.

Milei, um ultraliberal no poder desde dezembro de 2023, já recebeu em Ushuaia dois chefes do Comando Sul dos Estados Unidos das Forças Armadas americanas: Laura Richardson, em 2024, e Alvin Holsey, no ano seguinte. Ambos visitaram o projeto da Base Naval Integrada que a Argentina constrói desde 2022 e que está longe de ser concluída.

Richardson já havia visitado a Argentina durante o governo peronista anterior de Alberto Fernández.

A tese de que a base naval em construção venha a ser instalada conjuntamente com os Estados Unidos tem sido reiteradamente negada pelo governo argentino.

mry/lm/ad/am