Visão empresarial

Se na política existem as CPIs, no mundo corporativo existe uma sigla parecida usada para avaliar o sucesso de um projeto. São os Key Performance Indicator (KPIs), indicadores de performance que estabelecem metas e permitem o acompanhamento desses objetivos de maneira pragmática.

Jair Bolsonaro se reuniu com empresários para um jantar em São Paulo. Tenho certeza de que todos aplicam rigorosamente o conceito de KPIs em suas corporações. É por isso que fiquei chocado quando soube que o presidente foi aplaudido. Imaginei qual seria a reação dos empresários se ele liderasse suas companhias do mesmo jeito que comanda o Brasil.

O presidente é um desastre absoluto sob qualquer “KPI”, a não ser uma: a habilidade de manter sua família fora da cadeia. Na pandemia, seu desempenho é péssimo em todos os índices esperados de um chefe do Executivo: liderança, mobilização pela vacina, união do País. Na economia, a incompetência federal não fica longe. Entre 2010 e 2014, mesmo com todos os problemas, éramos a 7ª economia do mundo. Hoje caminhamos para ser a 14ª. Em março de 2020, o ministro Paulo Guedes anunciou uma meta confusa até para os seus padrões: “Se fizermos muita besteira, o dólar vai a R$ 5”. Fizeram muita besteira e hoje ele vale R$ 5,68. Ford, Sony, Roche, Walmart… sabe o que essas empresas globais têm em comum? Elas – e outras onze – saíram do País desde que Bolsonaro assumiu. Outro indicador estratégico é o meio ambiente. O desmatamento na Amazônia é o maior dos últimos dez anos. Cresceu 30% em 2020, com 8 mil km de floresta queimados. É como se a cidade de São Paulo fosse destruída – cinco vezes. Esse descaso é só mais uma das razóes para sermos chamados de párias mundiais. No exterior, o nome “Brasil” provoca calafrios e horror.

Algum dos empresários que estavam no jantar convidaria Bolsonaro para ser presidente de sua empresa? Não creio

Mesmo com todo mundo dentro de casa, os assassinatos aumentaram 5% em 2020. Nossa população hoje tem 14% de desempregados. A inflação já ultrapassou os 6%. O quilo do arroz subiu quase 70%, o feijão preto, 51%,
a carne, quase 30%. Qual desses indicadores merecem aplausos?

O bom do sistema de KPIs é que ele é objetivo e não deixa margem para viés político. Baseia-se em fatos, não em versões ou narrativas. Os empresários que estavam no fatídico encontro sabem que o desempenho do governo federal é uma piada de mau gosto. Algum dos empresários convidaria Bolsonaro para ser presidente de suas empresas? Não creio. Aposto um leito de UTI que ele não seria contratado nem como ascensorista – é provável que se confundisse com os andares e xingasse os passageiros. O pior KPI de Bolsonaro, porém, não tem nada a ver com o ato de governar: ele é nota zero como ser humano, mesmo.


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