Dois episódios de violência ocorridos neste ano em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, provocaram forte repercussão e mobilizaram investigações policiais. Meses depois do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos e semanas após o espancamento que provocou a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, os casos avançaram na Polícia Civil e na Justiça.
No primeiro episódio, quatro homens adultos são réus pelos crimes de estupro coletivo e cárcere privado qualificado. Bruno Felipe dos Santos Allegretti, João Gabriel Xavier Bertho, Matheus Verissimo Zoel Martins e Vitor Hugo Oliveira Simonin permanecem presos no Presídio Juíza de Direito Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Um adolescente apontado como participante do crime também foi levado à Justiça e teve a internação determinada em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).
Caso de estupro coletivo aguarda decisão da Justiça
O crime investigado teria ocorrido na noite de 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana. Segundo a investigação, a adolescente foi ao local para encontrar um jovem com quem havia se relacionado anteriormente.
De acordo com a denúncia, enquanto estava no quarto com o adolescente, os outros acusados entraram no cômodo. A vítima relatou ter sido agredida, impedida de sair do apartamento e submetida a atos sexuais contra a sua vontade. As defesas contestam a acusação e sustentaram durante o processo que houve consentimento.
A última audiência de instrução foi realizada em 13 de agosto. Na ocasião, os quatro réus e testemunhas apresentadas pelas defesas foram ouvidos. Com isso, foi encerrada a fase de depoimentos e aberto o período para apresentação das alegações finais do Ministério Público e das defesas antes da decisão judicial.
Dois dos acusados também passaram a ser relacionados a outras denúncias de violência sexual surgidas após a repercussão do caso. Vitor Hugo Oliveira Simonin foi indiciado em agosto em outra investigação envolvendo uma adolescente e um episódio que teria ocorrido durante uma festa no Humaitá, em outubro de 2025. O caso tramita sob sigilo.
Ciclista morreu após ser confundido com ladrão
O segundo caso ocorreu em agosto e teve como vítima Cláudio Rafael Landeiro. O ciclista foi espancado em Copacabana depois de ser apontado como responsável pelo furto de uma bicicleta.
Segundo as investigações, Cláudio foi agredido por um grupo e morreu em consequência dos ferimentos. A perícia apontou dezenas de golpes durante o espancamento. O caso levou à prisão de suspeitos e à identificação de outros possíveis participantes.
A Polícia Civil identificou ao menos oito pessoas que teriam participado direta ou indiretamente do episódio. Entre os investigados estão entregadores e pessoas que atuavam na região. As autoridades continuaram procurando suspeitos após as primeiras prisões.
As apurações também passaram a investigar a possível atuação de grupos que agiriam como vigilantes ou “justiceiros” na Zona Sul do Rio, abordando e agredindo pessoas apontadas como suspeitas de crimes.
Os dois episódios ocorreram em circunstâncias diferentes e não há indicação de relação entre eles, mas tiveram em comum a violência registrada em um dos bairros mais movimentados e turísticos do Rio de Janeiro e a repercussão provocada à medida que detalhes das investigações vieram a público.
Da IstoÉ
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