Uma mulher de 20 anos foi presa em flagrante após ser acusada de racismo em um supermercado de Nova Iguaçu (RJ), na baixada fluminense, durante o sábado, 17. Uma das vítimas, identificada como Daniel Nascimento, é jornalista e colunista do O Dia. Letícia Karam de Assis teria chamado clientes do estabelecimento de “negrada” e dito que um indivíduo era “veado”. Vídeos das agressões foram divulgados nas redes sociais.
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Confira imagens do ocorrido:
Jornalista é agredido e sofre racismo de mãe e filha em supermercado de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Crédito: Divulgação pic.twitter.com/WpHatoBPw9
— Jornal O Dia (@jornalodia) February 19, 2024
Nas imagens, é possível ver que toda a confusão ocorre nas proximidades do caixa do supermercado. No vídeo, Rosemary Karam, a mãe da agressora, alega que o jornalista teria batido na cabeça da jovem, fato que o colunista afirma ter sido gerado por um soco dado por Letícia em um primeiro momento. “Você é mulher e pode bater em mim? Não existe isso”, declara Daniel Nascimento como resposta.
Ainda nas gravações, muitos clientes gritam com Rosemary e Letícia, enquanto elas os chamam de “negrada”. Após a declaração da jovem, o jornalista reitera que o caso irá terminar em uma delegacia. Depois de ter um objeto atirado contra si, a suspeita passa a fazer poses de deboche e a ironizar toda a situação. “Tô filmando, agora você vai ser presa”, diz Daniel Nascimento, enquanto outra mulher alega ter visto a suspeita o chamando de “feio”.
Em contato com a IstoÉ, a Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que ambos foram conduzidos a uma delegacia, onde a ocorrência foi registrada. Após passar por audiência de custódia, Letícia Karam teve a liberdade provisória concedida com a exigência de cumprimento de três medidas cautelares, comparecer ao juízo a cada três meses, não sair da comarca por 15 dias e a proibição de se aproximar de vítimas e testemunhas dos fatos.
Emydio Falcão, advogado que representa a defesa de Letícia Karam, afirmou à IstoÉ que as informações sobre o ocorrido ainda são preliminares e o vídeo divulgado nas redes sociais foi produzido e editado pelo jornalista que, segundo ele, “se diz vítima”. “Todavia, ele (Daniel Nascimento) foi o agressor inicial. De qualquer forma, a autoridade policial requisitou as imagens do mercado que mostrarão a íntegra dinâmica dos fatos”, concluiu.
À IstoÉ, o jornalista Daniel Nascimento declarou que a confusão começou após Rosemary Karam trocar de caixa e esbarrar no colunista, que a questionou. A vítima relata que a mulher começou a o xingar, bem como Letícia, que teria o chamado de “pobre”. “Até que ela me chamou de ‘neguinho feio’, usando a minha cor para me afrontar”, conta o homem, que acrescenta ter havido uma agressão por parte da suspeita. “Não me orgulho de ter revidado. Eu tive que me defender.”
Daniel Nascimento reitera que não gostaria que a situação tivesse sido exposta e decidiu falar sobre o ocorrido apenas após a divulgação dos fatos pela mídia. “É muito vergonhoso, naquela hora eu tive apoio de pessoas que me defenderam. Eu só queria sair dali e sumir”, afirma o jornalista, explicando que apesar de ver casos de racismo na imprensa, ele só entende a situação de fato quando “sente na pele”. “Eu espero que seja feita a Justiça. Vou até as últimas consequências. Não vou parar enquanto ela (Letícia Karam) não for condenada”, conclui o colunista do O Dia.