PANDEMIA * 2020

Vidas ameaçadas

Lideranças denunciam a iminência do extermínio indígena, com o avanço da Covid-19 nas aldeias por todo o País, onde já são contabilizados 716 casos e 107 mortes entre 45 povos

Crédito: Bruno Kelly

SOB ATAQUE O novo coronavírus está se espalhando rapidamente entre os povos indígenas (Crédito: Bruno Kelly)

Se a Covid-19 é uma ameaça a qualquer pessoa, quando se fala em comunidades indígenas ela pode representar um verdadeiro extermínio em massa porque tradicionalmente grupos isolados são mais vulneráveis às epidemias. Sem respeitar diferenças de raças ou credos, o vírus avança pelas aldeias por todo o País sem nenhuma resistência e os povos nativos já contabilizam mais de 716 casos e 107 óbitos até a última quarta-feira, segundo o último levantamento feito pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). “A contaminação está muito acelerada e já atinge 45 povos em aldeias e pode dizimar os indígenas, já que a letalidade chega a 15% ante os 6,6% da população brasileira em geral”, explica a coordenadora executiva da APIB, Sonia Guajajara.

Segundo ela, a falta de assistência por parte do governo federal levou a organização de um plano nacional contra a epidemia, bem como a criação de um comitê especial para decidir as ações e até contabilizar os casos da doença, já que a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde, só contabiliza casos em aldeias, deixando de lado os índios que saíram para estudar ou trabalhar nas cidades. Conforme dados da Sesai, foram registrados 489 casos, com 25 óbitos. “Para piorar, não poderemos levar nada do que estamos conseguindo em doação, como máscaras e testes, sem a autorização prévia da Sesai, conforme ofício número 55, anunciado dia 18 de maio pela secretaria”, explica Guajajara.

DISTÂNCIA Médicos transferem de avião indígenas em estado grave nas regiões afastadas da Amazônia (Crédito: Bruno Kelly )

O aumento de casos entre indígenas no estado do Amazonas assustou e até o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB). Ele afirmou em vídeo nas redes sociais que teme um genocídio dos povos devido à pandemia. Para ele, um crime contra a humanidade está acontecendo em sua região. Virgílio cobrou do governo federal a proteção aos indígenas e criticou a legalização de garimpos em suas terras. O Amazonas é hoje um dos Estados mais afetados pela pandemia e tem 22.132 casos confirmados, com 1.491 mortes. Nacionalmente, as mortes pela doença chegam a 20 mil, com quase 300 mil infectados.

Para tentar evitar a propagação do vírus, a Fundação Nacional do Índio (Funai) informa que produziu uma cartilha indicando o que deve ser feito a partir do momento em que houver suspeita de Covid-19 nas aldeias. O guia orienta sobre o isolamento social imediato de pessoas com suspeita da doença. Já o Ministério da Saúde, por meio da Sesai, diz em nota que implementa ações de informação, prevenção e combate ao coronavírus, para orientar as comunidades indígenas. Elas pedem socorro.

Veja também

+ Jovem morre após queda de 50 metros durante prática de Slackline Highline
+ Conheça o phloeodes diabolicus "o besouro indestrutível"
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa
+ Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica
+ Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz
+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago
+ Cinema, sexo e a cidade
+ Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel