ROMA, 30 MAR (ANSA) – Os vice-premiês da Itália, Antonio Tajani e Matteo Salvini, desmentiram nesta segunda-feira (30) as especulações de que o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni poderia renunciar para forçar a realização de eleições antecipadas, após a derrota no referendo sobre uma reforma judicial na semana passada.
Esse é o primeiro grande revés de Meloni desde que assumiu o Palácio Chigi, em outubro de 2022, quando se tornou a primeira mulher a comandar o país. “Ninguém pensa em eleições antecipadas. Horas importantes estão sendo perdidas nos debates pós-votação”, afirmou Tajani, também ministro das Relações Exteriores e líder do partido de centro-direita Força Itália (FI).
“Quando há um resultado negativo, existem repercussões, mas devemos trabalhar nas questões econômicas, para impedir que a crise energética afete as empresas, para reduzir a pressão fiscal e para continuar aumentando o PIB”, acrescentou o chanceler, em entrevista ao jornalista Bruno Vespa.
Já Salvini, também ministro da Infraestrutura e dos Transportes e secretário federal do partido nacionalista Liga, participou de um evento do diário Il Giornale e assegurou que o governo cumprirá seu mandato, previsto para terminar em 2027, “sem qualquer hesitação”.
Meloni se empenhou pessoalmente para garantir a aprovação de uma reforma para separar as carreiras de juízes e promotores e criar um tribunal disciplinar para a magistratura, mas viu a proposta ser rejeitada nas urnas por placar de 53,75% a 46,25%.
Desde então, três membros do governo já perderam os cargos: a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, o subsecretário do Ministério da Justiça, Andrea Delmastro, e a chefe de gabinete da pasta, Giusi Bartolozzi.
Antecipar as eleições seria uma maneira de Meloni evitar que o governo continue se desgastando até o ano que vem, mas também há rumores de que a premiê estaria pensando em uma pequena reforma ministerial para cumprir o mandato até o fim. (ANSA).