Vice-prefeita de Crans-Montana se desculpa por falta de inspeções em bar

CRANS-MONTANA, 10 JAN (ANSA) – A vice-prefeita de Crans-Montana, Nicole Bonvin Clivaz, pediu desculpas pela falta de inspeções no bar Le Constellation, palco de um incêndio que deixou 40 mortos, sobretudo adolescentes e jovens adultos, e 116 feridos na madrugada de 1º de janeiro.   

A declaração foi dada em entrevista à emissora suíça RTS, após o prefeito Nicolas Féraud ter revelado que o estabelecimento não passava por controles das autoridades municipais desde 2020, porém sem se desculpar com as famílias das vítimas.   

“Não há desculpas para não pedir desculpas”, admitiu Clivaz.   

“Quando você está na linha de fogo, às vezes você é desajeitado, mas hoje temos de fazer isso: estamos com as famílias, estamos com as vítimas, essas pessoas que estão sofrendo”, acrescentou.   

A vice-prefeita também reconheceu a falha do governo municipal por não ter inspecionado o Constellation, mas destacou que caberá à Justiça atribuir responsabilidades.   

“A investigação levará muito tempo. Ainda há muito a descobrir e a dizer. Devemos afirmar que recuperamos tudo dos arquivos e tentamos compreender da melhor forma possível. É preciso entender que, em apenas algumas horas, tivemos de reconstruir 60 anos de história, e acredito que o fizemos com seriedade e desejo de transparência”, salientou.   

Vídeos gravados por clientes do Constellation na madrugada de 1º de janeiro indicam que o incêndio pode ter sido provocado por fagulhas lançadas por velas pirotécnicas na espuma antirruído que cobria o teto do bar.   

A suspeita é de que esse revestimento tenha sido instalado sem autorização, porém o prefeito de Crans-Montana disse durante a semana que as regras de inspeção municipal não preveem o “controle de qualidade” dos materiais.   

Os gestores do bar, Jacques e Jessica Moretti, são oficialmente investigados por conta da tragédia, e o primeiro está preso preventivamente desde a última sexta (9) por risco de fuga. Para Jessica, o Ministério Público pediu regime domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica para que ela possa cuidar dos dois filhos do casal, de seis meses e quatro anos de idade.   

Entre os 40 mortos no incêndio estão seis italianos, todos eles adolescentes de 15 e 16 anos de idade. (ANSA).