Comportamento

Viajante sem limites

Steve Rothstein, comprador de uma passagem vitalícia da American Airlines, perdeu os direitos de viajar indefinidamente de graça e luta para reavê-los

Crédito: Divulgação
INCANSÁVEL Rothstein gastou US$ 233 mil no programa AAirpass e fez 10 mil viagens pelo mundo durante 27 anos

Imagine uma passagem aérea vitalícia que permita um número infindável de viagens de primeira classe para qualquer destino e a qualquer tempo. É uma espécie de sonho de consumo para turistas empedernidos. Foi isso que o banqueiro americano Steve Rothstein comprou da American Airlines, em 1981, pagando a quantia de US$ 233 mil. Para ter o benefício de um acompanhante em todas suas viagens, ele pagou mais US$ 150 mil. Durante 27 anos, usufruiu livremente de sua passagem e fez cerca de 10 mil vôos, 500 só para a Inglaterra, 120 para o Japão e outros 70 para a Austrália. Rothstein, porém, cometeu um erro que iria acabar com suas vantagens: tomado pelo altruísmo passou a oferecer o bilhete de acompanhante para desconhecidos que precisavam de uma passagem no aeroporto. Por causa disso, a companhia aérea o acusou de fraude e retirou seus direitos em 2008. Desde então, ele luta na Justiça para reativar seu contrato e reavê-los.

Negócio excelente

No começo da década de 1980, a American Airlines enfrentava uma crise e decidiu lançar o programa AAirpass, que garantia viagens sem fim, para obter uma antecipação de receitas e fazer caixa. Mas a companhia aérea parece não ter calculado os riscos de sua iniciativa. Ela esperava vender milhares dessas passagens especiais e acabou vendendo só algumas dezenas. Os compradores desses bilhetes se tornaram viajantes incansáveis – um deles chegou a viajar para Londres 16 vezes num único mês – e o dinheiro pago inicialmente pela adesão ao programa virou uma ninharia perto dos custos com viagens desses clientes, que fizeram um excelente negócio. Além de usufruir dos vôos, os viajantes podiam reivindicar as milhas aéreas correspondentes. Só Rothstein acabou custando US$ 21 milhões, noventa vezes mais do que o dinheiro que investiu no AAirpass, e acumulou cerca de 40 milhões de milhas aéreas.

A American Airlines ainda tem, atualmente, 66 clientes nos Estados Unidos que compraram a passagem vitalícia, embora o programa tenha sido extinto em 2004. E a companhia, como fez com Rothstein, busca cancelar esses bilhetes premiados na Justiça. O próprio Rothstein ainda se diz abalado pela perda dos benefícios. Ele fez um apelo judicial a um juiz federal no estado de Illinois, mas teve seu pedido de reativação do AAirpass negado sob a acusação de fazer reservas com nomes falsos. A American Airlines provou que ele usava o nome de Bag Rothstein e isso o encrencou. “Eu me sinto traído, tiraram meu hobby e minha vida. Eles destruíram minha personalidade”, disse. Depois de muitos anos de alegria, o sonho de Rothstein acabou.

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