Coronavírus

Vermífugo reduz carga viral, mas não evita complicações da Covid

Crédito: Reprodução TV Brasil

Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia (Crédito: Reprodução TV Brasil)

Apesar de reduzir a carga viral em pacientes com Covid-19, o vermífugo nitazoxanida não é eficaz na resolução dos sintomas da doença ao fim dos cinco dias de tratamento nem é capaz de evitar complicações decorrentes da infecção pelo coronavírus, mas demonstrou benefício na resolução dos sintomas após sete dias de seguimento.

As conclusões estão em artigo que traz os dados completos do estudo financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI), cujos resultados parciais foram apresentados em uma cerimônia no Palácio do Planalto que causou polêmica na segunda-feira.

Na ocasião, o governo federal usou um gráfico de barras tirado de um banco de imagens, sem base nos dados reais da pesquisa, para ilustrar a eficácia do medicamento. No vídeo de apresentação da conclusão do estudo, um narrador afirma, ao mesmo tempo em que o gráfico é mostrado, que “o resultado comprovou de forma científica a eficácia do medicamento na redução da carga viral na fase precoce da doença”.

Na data do evento, o ministro Marcos Pontes justificou que o estudo completo não foi apresentado, pois os dados precisavam ser inéditos para a publicação em periódico científico.

Os dados completos foram publicados ontem, na plataforma medRxiv, que reúne artigos na versão pré-print, ou seja, que ainda não foram publicados em revistas científicas nem passaram por revisão de outros pesquisadores.

De acordo com informações do artigo, 392 pacientes participaram do estudo, dos quais 194 tomaram nitazoxanida por cinco dias e 198 receberam placebo. Foram incluídos na pesquisa somente doentes com quadros leves, ainda nos cinco primeiros dias de sintomas.

Após cinco dias de tratamento, o número de pacientes que ainda apresentavam sintomas era similar nos dois grupos: tanto o medicado quanto o placebo, o que indica que a administração da droga não fez diferença. Esse era o chamado “desfecho primário” avaliado no estudo, ou seja, o principal indicador de monitoramento, no qual o medicamento falhou.

Já no seguimento dos pacientes após uma semana, considerado “desfecho secundário”, o porcentual de doentes que relataram completa resolução dos sintomas foi de 78% no grupo que tomou nitazoxanida e 57% no grupo placebo, o que, de acordo com os autores, representa diferença estatisticamente significativa.

O índice de pacientes que apresentaram exame PCR negativo após sete dias também foi maior entre o grupo medicado: 29,9% ante 18,2%. Não foram observadas diferenças significativas de ocorrência de eventos adversos entre os dois grupos.

O remédio, no entanto, não foi capaz de reduzir hospitalizações pela doença. De acordo com o artigo, dez pessoas foram internadas por agravamento do quadro, cinco de cada grupo do estudo. No grupo da nitazoxanida, dois pacientes tiveram de ser transferidos para a UTI.

“O que foi alcançado foi benefício secundário, de redução de carga viral, mas isso não quer dizer que houve diminuição da transmissão porque não foi isso que o estudo se propôs avaliar”, afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe da infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), especialista que não participou do estudo.

Para a infectologista Raquel Stucchi, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a negativação mais precoce do PCR pode ter efeito positivo se reduzir o tempo que o doente transmite o vírus, mas mais estudos são necessários.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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