Vereadora viaja a Medellín para se inspirar em modelo colombiano de combate ao crime

Amanda Vettorazzo (União Brasil-SP) se reuniu com Federico Gutiérrez, prefeito da capital colombiana

Policiais e militares do Exército atuam nas ruas de Medellín
Policiais e militares do Exército atuam nas ruas de Medellín Foto: Manuel Villa Mejía (Secretário de Segurança de Medellín)/X

A vereadora de São Paulo Amanda Vettorazzo (União Brasil) viajou nesta semana a Medellín, capital da Colômbia, com o objetivo de trazer inspirações das políticas de combate ao crime organizado adotadas pelas autoridades locais para a capital paulista.

A cidade latina se tornou uma espécie de modelo de segurança pública para a direita brasilera pelo enfrentamento a grupos como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o Exército de Libertação Nacional, que dominavam parte relevante do território de Medellín, e redução dos índices de criminalidade.

O cenário é muitas vezes comparado com o Rio de Janeiro, onde uma operação contra o Comando Vermelho deixou 121 mortos em outubro de 2025, em um fenômeno similar ao que ocorre com as ações do presidente Nayib Bukele em El Salvador. Parlamentares brasileiros visitam a Colômbia com esse objetivo desde meados dos anos 2000.

Na viagem, Vettorazzo se encontrou com Federico Gutiérrez, prefeito de Medellín. “Pude entender e ver na prática como a cidade superou a antiga fama e quais políticas públicas foram decisivas nesse processo. Agora, o foco é estudar o que pode ser adaptado para São Paulo”, disse a vereadora.

Coordenadora do MBL (Movimento Brasil Livre), ele defende um projeto de “desfavelização” proposto pelo grupo para as áreas urbanas brasileiras. A vereadora afirmou que pretende levar à Câmara Municipal um balanço da viagem, com sugestões adaptadas para a capital paulista.

A vereadora de São Paulo em encontro com o prefeito de Medellín, na Colômbia

A vereadora de São Paulo durante encontro com prefeito de Medellín, na Colômbia

Por que Medellín virou referência para o Brasil

O arrefecimento da violência em Medellín se tornou referência para autoridades brasileiras. Durante a gestão do ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, a cidade serviu de inspiração para uma série de medidas de urbanização aplicadas pelo governo fluminense, como a instalação de teleféricos e escadas rolantes em comunidades.

As semelhanças da topografia de Medellín com a do Rio de Janeiro ajudam a explicar a atração. Situada no Vale do Aburrá, a cidade colombiana passou a ser intensamente povoada na década de 70 por habitantes rurais fugindo da violência que então se alastrava pelo interior do país. O resultado foi o estabelecimento de comunidades precárias nas áreas mais altas, com uma infraestrutura que por décadas foi incapaz de acompanhar o desenvolvimento urbano.

“São setores sem árvores, que tiveram um crescimento sem planejamento. Territórios muito semelhantes às favelas do Rio de Janeiro”, afirma Aricapa.

Nestes espaços com ausência de serviços do Estado, o tráfico de cocaína, à época em expansão, aproveitou da localização estratégica de Medellín. Capital do departamento da Antioquia, o maior da Colômbia, a cidade tem uma posição que possibilita proximidade com as zonas produtoras de folha de coca nos Andes ao mesmo tempo em que não está distante da saída ao mar. Ela ficou famosa por ter sido reduto do narcotraficante Pablo Escobar.

Em 2002, a operação Orión foi ordenada pelo então presidente colombiano Álvaro Uribe, na Comuna 13, à época um dos bairros mais violentos de Medellín. A ação contou com um forte aparato militar. A intenção era retomar o poder de um território ocupado por guerrilhas, como as Farc e o ELN.

A Orión acabou se tornando um marco da transformação da cidade, que nos anos seguintes passou a investir de forma mais ampla em infraestrutura, urbanismo social e mobilidade para melhor integrar a Comuna 13 à cidade. A polícia também passou por um processo posterior de modernização.

Não há um consenso sobre o saldo oficial de mortos na operação. Sabe-se, porém, que chega às dezenas e também acumula desaparecidos, feridos e presos. Segundo o jornalista Aricapa, colombiano Ricardo Aricapa, autor do livro “Comuna 13: Crônica de uma Guerra Urbana”, centenas de civis foram classificados como “falsos positivos” e atrelados a crimes no caso.

*Com informações de Deutsche Welle