Vereadora pede cassação de Pavanato após caso de agressão na USP

Keit Lima afirma que as ações do vereador não condizem com a ética parlamentar

Lucas Pavanato
Ato termina em violência e confusão Foto: Reprodução / Redes sociais

A vereadora Keit Lima (PSOL) informou nesta quinta-feira, 5, que pretende realizar um pedido formal de cassação contra o colega Lucas Pavanato (PL) na Câmara Municipal de São Paulo, após o parlamentar realizar um ato na USP (Universidade de São Paulo) que terminou com agressões na quarta-feira, 4.

Keit justifica que as ações de Pavanato não condizem com a ética parlamentar; pelo contrário, contribuem apenas para o “desperdício de recursos”. A vereadora destaca que o mandato do parlamentar “tem se resumido a palcos digitais em vez de entregas reais para a cidade”.

“Esse circo faz o quê por São Paulo? Seu salário é dinheiro público no ralo. Ele não fiscaliza, não cria política pública, não cria leis, não faz nada pelo povo. Cassar esse mandato será um serviço ao orçamento público”, diz.

À IstoÉ, o vereador Lucas Pavanato afirmou que não vai dar “palco para uma parlamentar irrelevante”.

Relembre o caso

Pavanato afirmou que foi à praça do relógio na USP com o intuito de discutir pautas relacionadas aos seus projetos com os alunos.

Em seguida, estudantes intercederam com uma caixa de som enquanto gritavam “recua facista” contra o vereador, que estava sentado em sua barraca atrás de uma placa que dizia “Aborto é assassinato”. A briga generalizada teve participação de alunos e seguranças do vereador, entre eles GCMs da Câmara Municipal.

Em uma rede social, Pavanato publicou um vídeo em que mostra, do seu ponto de vista, o que aconteceu durante o ato.

Celular roubado durante confusão

A vereadora Eduarda Campopiano, de Praia Grande, que estava acompanhando Pavanato, disse que teve o celular roubado enquanto gravava a confusão. “No que eu corri atrás dele para recuperar o celular, tentei segurará-lo pela mochila, ele virou e usou o meu próprio celular para dar um soco na minha boca”, disse ao Estadão. Segundo ela, um dos GCMs que estava prestando serviço para o vereador paulista foi atrás do homem e recuperou o celular.

O que diz a USP

Em nota, a USP afirmou que considera que a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias são princípios basilares da vida acadêmica. “A Universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo”, afirmou.

A universidade ainda disse que repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana.

SSP-SP também se manifestou

Também em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que o caso foi registrado como vias de fato pelo 93º DP (Jaguaré). “Na ocasião, houve uma briga generalizada entre estudantes e um vereador, que resultou em agressões mútuas”, disse a pasta. A pasta ainda informou que dois alunos que ficaram feridos passarão por exame de corpo de delito no IML. Ninguém foi detido.

* Com informações do Estadão