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Verão na montanha

Esqueça os festivais de fondue e as receitas alemãs que predominam nos restaurantes de Campos do Jordão. Alimentos orgânicos de produção própria e preparações leves em porções sem exageros estão nos cardápios criados por dois talentosos chefs que surpreendem com pratos que brilham em qualquer estação

Verão na montanha

O que era para ser uma pizzaria gourmet se tornou um dos restaurantes mais agradáveis de Campos do Jordão. Misto de café, confeitaria e bistrô que divide o salão com uma malharia de luxo, o Sans Souci é hoje um dos pontos altos da gastronomia de Campos do Jordão. Desde o exterior, com um jardim extremamente bem cuidado e uma decoração em que cada detalhe foi pensada com carinho, o lugar é daqueles para visitar com calma, aproveitando tudo no ritmo que o nome sugere (Sans Souci é a expressão francesa para “sem preocupação”).

A ideia de trocar as pizzas que o dono pretendia servir por uma comida mais autoral, que segue os princípios do “slow food” se deve ao chef Thiago Fegies, trazido especialmente para a missão depois de passar pela cozinha do Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu. Ele não apenas responde pelos pratos como prepara ali mesmo os embutidos artesanais servidos na seleção de antepastos e até o queijo mascarpone caseiro usado no tiramisù de panetone (item cobiçado na confeitaria durante o período natalino). O mais surpreendente, contudo, é que Thiago ainda cuida da horta orgânica plantada na propriedade, onde são cultivadas as hortaliças e as flores comestíveis que decoram as saladas. Para aproveitar tudo isso, nada melhor que deixar que o chef apresente suas criações em um menu confiança, em que cada item conta uma história — combinando tradição, inovação e criatividade, sempre com respeito aos ingredientes da época.

A degustação pode levar algumas horas – e ainda assim, ao sair da mesa, a sensação será a de ter feito uma refeição leve, sem nada do excesso de gorduras e calorias que pautam as preparações triviais em Campos do Jordão. “Aqui não servimos fondue”, afirma Thiago, que prefere se dedicar a ingredientes menos óbvios na Serra da Mantiqueira. Ainda que não se furte a recriar a onipresente truta da Mantiqueira, ele surpreender ao fatiar um atum em tiras espessas para servi-lo apenas selado nas bordas – em um dos pratos que revelam as técnicas aprimoradas sob a supervisão de mestres como Pascal Valero.

Araucária

Sob o comando do jovem chef Mauro Sierro, que aos 26 anos já conta com experiências acadêmicas e profissionais na Suíça, França e Espanha, o restaurante do Grande Hotel Campos do Jordão se firma como o endereço certo para uma experiência gastronômica inesquecível na cidade, qualquer que seja a estação do ano. Nascido em São José do Rio Pardo (SP), onde seus antepassados se dedicaram à panificação e a restaurantes, Sierro descobriu o gosto pela culinária ainda aos 12 anos. Aos 17, ele já estudava para ser chef. Hoje, seu talento foi reconhecido com o comando da cozinha onde estagiam e aprendem na prática os novos talentos da gastronomia, já que ali funciona uma das principais escolas de gastronomia do País, o Centro Universitário Senac. Em um menu de seis etapas, escoltado por um vinho apropriadamente sugerido pelo sommelier dentre as mais de 200 opções de rótulo da adegad o Araucária, o chef Sierro demonstra todo o domínio que tem de seu ofício. Abrindo os trabalhos, o tartar de vieira com sorbet de beterraba e gengibre faz o que se espera de um “amuse bouche”: diverte o paladar com o contraste de texturas e sabores. A delicadeza das preparações é ainda mais evidenciada no serviço intermediário, um delicado gnocchi de semolina com emulsão de foie gras e Jerez. Para finalizar a inesquecível imersão por sabores surpreendentes, Sierro combina macaron com framboesa e gelato de torrone na sobremesa que é sua assinatura. Um menu confiança digno dos grandes hotéis da Europa.