Comportamento

Verão colorido

Roupas e objetos decorativos de cores diversas, tingidos por técnicas artesanais, como tie-dye, ou industriais, vieram para alegrar a estação

Crédito: Divulgação

PRAIA No começo do ano, a atriz Juliana Paes apostou em uma bata tie-dye durante férias no Ceará (Crédito: Divulgação)

Uma explosão de cores que mancham camisas, vestidos, biquínis e até unhas tomou conta de todos os ambientes nesse verão. Elas estão em muitos lugares: praias, festas glamourosas e até em itens de decoração da casa, como almofadas. As manchas coloridas voltaram com tudo e remetem à milenar técnica “tie-dye”, que em português significam “amarrar” e “tingir”. Exemplo dessa trend é a adesão de peso das personalidades mais badaladas do País. Essa foi a aposta da atriz Juliana Paes, por exemplo, em um look usado no começo do ano, quando curtia férias em Jericoacoara, no Ceará. Na ocasião, ela usou uma blusa estilo bata com seis cores diferentes, em um contexto praiano, bem casual: com shorts jeans e boné. Já Grazi Massafera, no réveillon, apostou em um vestido sofisticado com uma saia esvoaçante toda colorida. Diversas influencers também a abraçaram, como as blogueiras de moda Thássia Naves e Camila Coutinho, a cantora Iza e a atriz Marina Ruy Barbosa.

Técnica Milenar

O processo manual “tie-dye” consiste em amarrar barbantes ou fios nas peças de roupa para elas então serem tingidas. Depois de um tempo, retiram-se os barbantes e as partes em que eles estavam mantém a cor original, criando desenhos únicos e inesperados. Antiga e artesanal, o primeiro registro de uso dessa técnica data da era pré-colombiana, em amostras encontradas por arqueólogos em templos peruanos. No Japão, esse tipo de tingimento se chama “shibori”, é usado desde o século VIII, e conta com um maior detalhamento nas amarrações. Já na Índia, leva o nome de “bandhani”, que em sânscrito significa amarrar, e consiste em prender pequenos nós que formam desenhos complexos e repletos de detalhes. Na era contemporânea, esse tipo de tingimento sempre esteve associado a períodos de crise, também porque sua técnica é barata e acessível. Foi o que aconteceu em 1929, com a quebra da bolsa de Nova Iorque e a crise econômica. Na ocasião, as cores manchadas apareceram em roupas e itens de decoração.

DIVERSIDADE  As cores estão presentes nos mais diferentes ambientes e por meio de técnicas variadas de tingimento. A cortina da casa da atriz Giovanna Ewbank e do ator Bruno Gagliasso traz diferentes tons de roxo em degradê. Uma almofada com manchas remetem à técnica japonesa Shibori, um tipo de tie-dye mais detalhado. Até as unhas ganharam a tendência e surgiram em camaïeu, ou seja,  um degradê com diferentes cores

Após um período de declínio, a tendência retorna novamente, também em uma época de crises, dessa vez após a II Guerra Mundial. Na década de 1960, jovens desertores que não queriam ir para a guerra no Vietnã não conseguiam emprego devido ao seu não alistamento militar e tiveram de recorrer a alternativas manuais para buscar sustento. Surgiu assim o movimento hippie, um dos que mais aderiu ao tie-dye e contribuiu para a ascensão dessa moda em todo o mundo. “Eles buscavam a espiritualidade e se valeram de técnicas diversas, principalmente as indianas, que contém muitos tecidos coloridos e manchados”, diz João Braga, professor de história da moda. Artistas como Jimmi Hendrix e Janis Joplin foram grandes de seus difusores. Depois de mais um período de esquecimento, a moda voltou com as tribos dos anos 1990, e na década de 2000 caíram em declínio novamente. No Brasil, o retorno recente está também relacionado à busca por liberdade e valorização da individualidade e da personalidade. A procura decorre do clima de tensão provocado pelo atual governo, além da crise econômica. Nesse ambiente, recorrer às cores é também uma injeção de alegria e otimismo diante da realidade social do Brasil e do mundo.