Desde o ataque militar dos EUA à Venezuela na madrugada deste sábado, 3, diversos líderes mundiais já emitiram posicionamentos e se manifestaram, provocando impactos no tabuleiro da geopolítica global.
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Países aliados políticos da Venezuela, como o Irã e Cuba, tiveram posicionamentos contundentes condenando a incursão militar capitaneada por Donald Trump.
Na contramão, líderes como Javier Milei celebraram o resultado da operação que culminou na captura de Nicolás Maduro.
Veja abaixo o posicionamento de líderes globais sobre o ataque dos EUA à Venezuela, que foi a ‘maior operação militar americana desde a Segunda Guerra Mundial’, segundo Trump.
Lula condena bombardeio à Venezuela e pede ‘resposta vigorosa’ da ONU
Em publicação sobre o bombardeio da Venezuela pelos Estados Unidos, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerou que incursão militar ‘ultrapassa uma linha inaceitável’ e afrontam abrem precedentes ‘perigosos’.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse Lula, em postagem na sua conta no X, antigo Twitter.
“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, completou o presidente.
O petista ainda declarou que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), ‘precisa responder de forma vigorosa a esse episódio’.
“O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.”
China diz que ação dos EUA na Venezuela viola direito internacional
O Ministério das Relações Exteriores da China disse em um comunicado neste sábado que condenou a ação dos EUA na Venezuela, que, segundo ele, violou o direito internacional.
“A China está profundamente chocada e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país”, disse o Ministério das Relações Exteriores.
“A China se opõe firmemente a esse comportamento hegemônico dos EUA, que viola seriamente o direito internacional, viola a soberania da Venezuela e ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe. Pedimos que os EUA respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU e parem de violar a soberania e a segurança de outros países.”
Colômbia, Irã e Cuba também condenaram ataque
Na esteira dos pronunciamentos de líderes globais, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi um dos primeiros a se manifestar contra o ataque dos Estados Unidos à Venezuela na manhã deste sábado, 3.
Segundo Petro, a ofensiva de Trump é uma “agressão à soberania” venezuelana. O presidente ainda disse que acionará o conselho de segurança da ONU.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também se manifestou sobre o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela.
“Cuba denuncia e exige reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a Nossa América”, escreveu em rede social.
O Irã, importante aliado político da Venezuela, também condenou veementemente o ataque militar dos Estados Unidos ao país sul-americano, descrevendo-o como uma “violação flagrante da soberania nacional e da integridade territorial” venezuelana.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores iraniano exigiu que o Conselho de Segurança da ONU “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal” e responsabilize os responsáveis pela operação.
Chanceler da Rússia expressa solidariedade em uma ligação telefônica com vice da Venezuela
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressou “firme solidariedade ao povo venezuelano diante da agressão armada” durante uma conversa telefônica com a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia neste sábado.
“As partes se manifestaram a favor de evitar uma nova escalada e encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo”, disse o ministério.
O ministério disse que uma notícia de que Rodríguez está na Rússia era “falsa”, informou a Tass.
A Venezuela é o aliado mais importante que a Rússia tem na América Latina, embora o Kremlin não tenha chegado a oferecer assistência a Caracas em caso de conflito com os Estados Unidos.
A pasta também pediu a libertação de Maduro.
“Pedimos firmemente às autoridades americanas que reconsiderem sua postura e libertem o presidente legalmente eleito do país soberano e sua esposa”, destacou o Ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado.
Previamente, Moscou havia denunciado “um ato de agressão armada contra a Venezuela (…) profundamente preocupante e condenável”.
“Os pretextos utilizados para justificar tais ações são insustentáveis. A hostilidade ideológica prevaleceu sobre o pragmatismo empresarial”, afirmou a chancelaria.
Mais cedo, havia exigido “um esclarecimento imediato da situação” de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A Rússia reafirmou seu apoio a Maduro, no mês passado, e é um dos poucos que parabenizaram o líder venezuelano após sua reeleição em 2024, cuja legitimidade foi questionada.
Chefe da ONU sobre Venezuela: Ação dos EUA abre “precedente perigoso”
O secretário-geral da ONU, António Guterres, está profundamente alarmado com a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que estabelece “um precedente perigoso”, disse seu porta-voz em um comunicado neste sábado.
“O secretário-geral continua a enfatizar a importância do respeito total — por todos — ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU. Ele está profundamente preocupado com o fato de as regras do direito internacional não terem sido respeitadas”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
Espanha não reconhecerá intervenção dos EUA na Venezuela, diz premiê
A Espanha não reconhecerá uma intervenção dos Estados Unidos na Venezuela que viole o direito internacional, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, neste sábado, depois que as forças dos EUA capturaram o presidente venezuelano de longa data, Nicolás Maduro, em uma operação noturna.
“A Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas tampouco reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, escreveu Sánchez no X, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA administrariam o país sul-americano até que uma transição “segura” fosse concluída.
Sánchez também pediu a todas as partes que “pensem na população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e articulem uma transição justa e dialogada”.
Macron diz que Edmundo González deve ajudar a supervisionar mudança de poder na Venezuela
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse neste sábado que o líder da oposição venezuelana Edmundo González deve ajudar a supervisionar a mudança de poder na Venezuela, após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.
“A transição que está por vir deve ser pacífica, democrática e respeitar a vontade do povo venezuelano. Esperamos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, seja capaz de garantir essa transição o mais rápido possível”, escreveu Macron no X.
Milei comemora
O presidente da Argentina, Javier Milei, postou uma mensagem em suas redes sociais comemorando o ataque.
Na postagem, dizia ‘a liberdade avança, viva a liberdade’.
Desde que passou a ocupar o cargo de presidente da Argentina, Milei se tornou uma figura aliada de Trump, tendo feito diversas visitas oficiais e recebendo apoio financeiro do governo americano.
Chanceler da Alemanha pede transição baseada em eleições
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse neste sábado que a avaliação jurídica da operação dos Estados Unidos na Venezuela é complexa e “levará tempo” para avaliá-la, acrescentando que os princípios do direito internacional devem ser aplicados.
Merz pediu que “uma transição para um governo legitimado por eleições deve ser garantida” e advertiu que “a instabilidade política não deve surgir na Venezuela”.