Venezuela pós-Maduro expulsa guerrilhas para Colômbia, diz ministro colombiano

A Venezuela começou a fazer os guerrilheiros colombianos recuarem para o outro lado da fronteira, afirmou nesta quarta-feira (11) à AFP o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, o que marcaria um ponto de inflexão após anos em que o território venezuelano representava um refúgio para esses grupos.

“Eles estão avançando em operações na zona fronteiriça e alguns integrantes dos cartéis do ELN, das dissidências, já não se sentem seguros nessa área”, indicou Sánchez durante uma entrevista em Paris, ao ser questionado sobre se houve mudanças na Venezuela após a queda de Nicolás Maduro.

Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros, onde diversos grupos armados competem pelo controle dos lucros do narcotráfico, da mineração ilegal e do contrabando.

Esses grupos costumavam utilizar a Venezuela como retaguarda, mas a situação parece ter mudado agora após a captura de Maduro pelos Estados Unidos no início de janeiro e a chegada ao poder de Delcy Rodríguez.

Essas operações na Venezuela dirigida por Rodríguez obrigam esses grupos a se deslocarem “para o lado colombiano, ou para uma zona um pouco mais próxima da fronteira”, explicou o funcionário colombiano.

Isso “nos permitiu agir, como fizemos agora na fronteira com a Venezuela, no Catatumbo”, acrescentou Sánchez, referindo-se à operação na qual militares colombianos abateram na semana passada pelo menos 15 rebeldes da guerrilha ELN.

Essa operação ocorreu horas depois de o presidente colombiano, Gustavo Petro, e seu homólogo americano, Donald Trump, firmarem na Casa Branca uma maior cooperação contra os grupos ilegais e o narcotráfico.

Essa cooperação se materializará “principalmente em inteligência”, explicou Sánchez, que descartou o envio de tropas americanas à Colômbia.

O objetivo é “como articulamos melhor a inteligência entre Estados Unidos e Colômbia para empregar a força colombiana sob as normas colombianas e o direito internacional humanitário contra esses grupos criminosos que atuam na Colômbia”, acrescentou.

Para Sánchez, a inteligência é fundamental “para que não haja zonas cinzentas” na área limítrofe com a Venezuela e, nesse sentido, indicou que a Colômbia já está “se articulando” em nível diplomático com Caracas, sem dar mais detalhes.

“Esperamos que possamos avançar em termos de segurança”, desejou o funcionário, que considerou a mudança de poder no país vizinho como “uma oportunidade única” a ser “aproveitada” para reabilitar os canais de comunicação nesse âmbito.

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