Venezuela diz à Itália que ‘presos políticos’ no país são ‘criminosos comuns’

CARACAS, 26 FEV (ANSA) – O vice-premiê da Itália e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, discutiram a questão da libertação dos presos políticos no país sul-americano em meio a telefonema na quarta-feira (25) sobre as relações bilaterais.   

“Continuamos trabalhando pela libertação de todos os nossos cidadãos presos por motivos políticos: solicitei que isso seja tratado com a máxima prioridade”, disse Tajani no X ainda ontem.   

Em um comunicado divulgado nesta quinta (26) no Telegram, Rodríguez afirmou ter “aproveitado a oportunidade para apresentar claramente a verdade sobre a Venezuela [ao vice-premiê italiano], abordando as narrativas distorcidas que circulam há anos em alguns meios de comunicação europeus”.   

“Esclareci a questão do que ele [Tajani] chama de ‘presos políticos’, enfatizando que se tratam de indivíduos envolvidos em corrupção, narcotráfico e venda ilegal de armas, casos que se enquadram na categoria de crimes comuns”, acrescentou a chefe de Estado interina.   

No entanto, no caso de ao menos dois italianos detidos na Venezuela por mais de um ano e meio, como o trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò, Caracas nunca apresentou acusações formais contra eles. Ambos foram libertados em meados de janeiro, depois de Rodríguez ter assumido a presidência interina após o ex-presidente Nicolás Maduro ter sido capturado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro.   

“Nesta fase de transição política, a Itália está pronta para fazer a sua parte para dar continuidade ao processo de paz interna na Venezuela”, destacou Tajani.   

Segundo o governo de Caracas, Rodríguez e o vice-premiê italiano também discutiram “aspectos-chave da cooperação bilateral entre a Itália e a Venezuela, bem como a agenda econômica compartilhada e as oportunidades para fortalecer o comércio e o investimento”.   

Tajani afirmou que Roma “já reforçou sua presença diplomática na capital venezuelana para continuar auxiliando nossos cidadãos e empresas que desejam investir, mantendo a importância de encontrar soluções para as pendências comerciais”.   

Outro tema abordado no telefonema foram as relações históricas entre os dois países a partir da imigração italiana para a América do Sul.   

“A Itália está ligada à Venezuela por fortes laços históricos e culturais, graças também à grande comunidade italiana [no continente sul-americano], e dará sua contribuição para a liberdade e prosperidade do povo venezuelano”, escreveu Tajani.   

Rodríguez informou que eles também concordaram em “manter canais diretos de diálogo para avançar em questões de interesse comum para ambos os povos”. (ANSA).