Venezuela busca aumentar sua produção de petróleo em 18% em 2026 com reforma legislativa

A Venezuela pretende aumentar sua produção de petróleo em 18% em 2026 com uma reforma em sua lei petrolífera, antecipando uma abertura completa para empresas privadas em meio à intensa pressão dos Estados Unidos após a queda de Nicolás Maduro.

Em uma mudança em relação ao seu modelo estatista, o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo está caminhando para uma abertura petrolífera com o objetivo de facilitar os negócios com os Estados Unidos e aumentar o fluxo de dólares.

“O marco e a meta para 2026 é crescer pelo menos 18% além da meta que alcançamos em 2025”, afirmou Héctor Obregón, presidente da estatal petrolífera PDVSA, neste sábado (24).

A Venezuela atingiu uma cota de produção de 1,2 milhão de barris de petróleo no ano passado, um marco após alcançar mínimas históricas de cerca de 360.000 barris em 2020, mas ainda muito longe dos 3 milhões extraídos no início do século.

A proposta de reformar a lei de hidrocarbonetos recebeu um primeiro voto favorável no Parlamento venezuelano na quinta-feira e a expectativa é de que seja finalizada na próxima semana.

“Tínhamos uma Lei de Hidrocarbonetos que não foi atualizada para atender às necessidades da indústria de hidrocarbonetos”, disse Obregón a trabalhadores da PDVSA em um evento para discutir as propostas de emendas à legislação.

A reforma visa “atualizar o marco legal dos hidrocarbonetos para garantir segurança jurídica aos investidores privados”, explicou ele na refinaria de Puerto La Cruz, no leste da Venezuela.

O governo da presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder temporariamente após a captura de Maduro em uma incursão militar em 3 de janeiro, está sob pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, que se declarou no comando do país e disse que controlará as vendas de petróleo.

Rodríguez informou que o país recebeu um pagamento inicial de 300 milhões de dólares (1,58 bilhão de reais) após a venda de seu petróleo pelos Estados Unidos.

A Arábia Saudita descartou na sexta-feira a ideia de que a nova situação na Venezuela, após a captura de Maduro e a intenção dos Estados Unidos de aumentar a produção de petróleo, teria um “impacto significativo” no mercado.

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