Venezuela aposta no investimento estrangeiro para recuperar indústria do petróleo

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse na segunda-feira (26) que prevê um aumento de 55% em investimentos no setor de petróleo para 2026 com uma maior abertura para empresas privadas no setor, em meio às mudanças que buscam atrair o capital estrangeiro.

A mandatária impulsiona um projeto de reforma da Lei de Hidrocarbonetos com vistas a incrementar a produção petrolífera do país após os acordos com o presidente americano Donald Trump e depois da operação que levou à captura e queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Delcy assumiu o poder após a incursão americana.

“Temos que passar do país com as maiores reservas de petróleo do planeta para um gigante produtor”, afirmou Delcy durante um encontro com empresários exibido pela televisão estatal.

Ela acrescentou que prevê um aumento de 55% no investimento no setor para 2026, com maior participação de empresas privadas amparada por uma reforma na Lei de Hidrocarbonetos.

“No ano passado, o investimento foi de quase 900 milhões de dólares (R$ 4,7 bilhões, na cotação atual) e, para este ano, já foi assinado e está previsto um investimento de 1,4 bilhão de dólares (R$ 7,4 bilhões)”, destacou a presidente

Durante o discurso, Delcy afirmou que a Venezuela “não aceita ordens”, em referência a declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que ela não especificou.

“O secretário do Tesouro dos Estados Unidos fez declarações pouco pertinentes e ofensivas, e tenho que respondê-las: o povo da Venezuela não aceita ordens”, disse.

“O povo da Venezuela tem governo e este governo obedece ao povo. Não temos outro fator externo a quem obedecer”, acrescentou.

– Reforma –

A reforma da Lei de Hidrocarbonetos, aprovada em uma primeira discussão no Parlamento venezuelano, busca abrir caminho para a recuperação da indústria petrolífera e atrair os capitais necessários para aumentar a produção.

O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da presidenta interina, disse que “é o momento” para que a Venezuela “dispare de maneira exponencial” a produção de petróleo.

“A única maneira de fazer isso” é atraindo “investimento estrangeiro, que chegue de maneira imediata, sem nenhum tipo de preocupação, que possam ingressar os recursos necessários para a exploração dos campos”, acrescentou Rodríguez.

Espera-se que os parlamentares aprovem a reforma em definitivo esta semana.

O texto inclui uma figura para acordar contratos entre as empresas nacionais e estrangeiras com o Estado que lhes permita executar operações de exploração e extração com maior flexibilidade.

Trata-se dos chamados Contratos de Participação Petrolífera (CPP) em Hidrocarbonetos firmados sob o amparo da chamada Lei Antibloqueio, aprovada para contornar as sanções dos Estados Unidos.

Para Delcy, essa figura resultou em um “modelo bem-sucedido”. “No dia de hoje, há 29 CPP firmados”, disse.

Mariano Vela, presidente da empresa americana Chevron, agradeceu os esforços do Parlamento venezuelano.

“Estamos preparados para continuar contribuindo com nossa experiência na gestão das operações, com inovação tecnológica, um trabalho árduo e com a tarefa de criar um setor de petróleo e gás mais competitivo”, acrescentou.

afc/jt/cjc/rpr/fp

CHEVRON