O Vaticano rejeita um pedido do presidente francês, Emmanuel Macron, para um encontro privado com o papa Leão XIV na Catedral de Notre-Dame, em Paris. A solicitação, feita por canais diplomáticos, visava mostrar as obras de restauração do templo durante a visita do pontífice em 25 de setembro. A recusa, reportada pelo diário católico La Croix nesta terça-feira (15), revela divergências entre Paris e Roma sobre a natureza da viagem papal.
- O Vaticano rejeita pedido de Macron para encontro com o papa Leão XIV durante sua visita a Notre-Dame, em Paris.
- O governo francês desejava apresentar as obras de restauração da catedral, financiada pelo Estado após o incêndio de 2019.
- A recusa é atribuída a questões políticas, como a posição de Macron sobre legislação de fim da vida, e à agenda lotada do pontífice.
A publicação La Croix detalhou que Emmanuel Macron não pretendia participar das Vésperas que serão celebradas pelo pontífice na histórica catedral parisiense. Contudo, o presidente francês havia solicitado, por intermédio de canais diplomáticos, alguns minutos para um encontro com o papa Leão XIV.
O objetivo do presidente seria apresentar ao cardeal Robert Prevost as significativas obras de restauração do templo. A reconstrução da Notre-Dame, após o devastador incêndio de 15 de abril de 2019, tem sido amplamente financiada pelo Estado francês, destacando o compromisso nacional com o patrimônio.
A recusa foi formalizada pela Secretaria de Estado do Vaticano, conforme reportado pelo La Croix. O incidente sublinha uma clara divergência nas expectativas entre Paris e Roma. O governo francês, aparentemente, encarava a visita papal também como uma ocasião de Estado, enquanto o Vaticano a trata primordialmente como uma viagem apostólica, focada em questões religiosas e pastorais.
Por que o Vaticano disse não?
O papa Leão XIV cumpre uma agenda oficial na França entre 25 e 28 de setembro, com compromissos importantes em Paris e na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Essa programação intensa é uma das razões práticas levantadas para a recusa.
Em Roma, análises sobre a decisão sugerem que fatores políticos também influenciaram a negativa. A postura de Macron em relação à legislação sobre o “fim da vida”, que contraria abertamente a doutrina da Igreja Católica, é apontada como um ponto de atrito.
Adicionalmente, havia o receio de que um encontro conjunto entre Macron e o pontífice em Notre-Dame pudesse gerar uma percepção de excessiva proximidade entre o líder religioso e o Palácio do Eliseu. Esta preocupação ganha relevância especialmente com a esperada reabertura da catedral, agendada para dezembro de 2024, um marco de grande simbolismo para a França.
No entanto, a Secretaria de Estado do Vaticano enfatizou justificativas de ordem mais prática para sua decisão. Além da agenda já “carregada” do líder da Igreja Católica, há o desejo de que a Catedral de Notre-Dame seja rapidamente devolvida aos fiéis após o término das Vésperas, sem interrupções adicionais.