Vaticano critica transmissão de execução nos EUA e condena pena de morte

Cardeal Pietro Parolin considera inaceitável transformar uma execução em espetáculo; governo Trump prevê fuzilamento de ex-militar em dezembro

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O Vaticano criticou nesta sexta-feira (9) a decisão do governo dos Estados Unidos de transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército americano condenado pelo ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, classificou a iniciativa como inaceitável e reafirmou a oposição da Igreja Católica à pena de morte.

As declarações foram feitas durante um evento dedicado a John Henry Newman, quando o religioso foi questionado sobre o anúncio do Departamento de Defesa americano.

Para Parolin, independentemente da gravidade dos crimes cometidos pelo condenado, a execução não deve ser utilizada como forma de exposição pública ou demonstração de punição.

Cardeal critica transformação da morte em espetáculo

Durante sua manifestação, Pietro Parolin afirmou que a possibilidade de transmitir uma execução representa uma forma inaceitável de espetacularização da morte.

O secretário de Estado do Vaticano questionou a necessidade de recorrer a esse tipo de punição, destacando que existem outros mecanismos de responsabilização criminal.

Segundo o cardeal, a gravidade dos crimes atribuídos a uma pessoa não justifica a adoção de práticas que contrariem o respeito à dignidade humana.

Parolin também demonstrou perplexidade diante da escolha do fuzilamento como método de execução nos dias atuais.

O religioso questionou qual seria a finalidade de utilizar esse procedimento, especialmente diante da possibilidade de exposição pública do momento da morte.

Igreja Católica reafirma oposição à pena de morte

A crítica de Parolin está alinhada à posição oficial da Igreja Católica, que rejeita a aplicação da pena capital.

O Vaticano considera que a pena de morte é incompatível com a dignidade humana, independentemente do crime cometido.

A Igreja também questiona a eficácia da punição como instrumento para prevenir novos crimes.

Durante suas declarações, Parolin reiterou que a oposição à pena de morte é integral e não depende das circunstâncias específicas de cada condenação.

A posição reforça a defesa de alternativas penais que permitam a responsabilização dos condenados sem recorrer à execução.

Bispos americanos também condenam decisão do Pentágono

A manifestação do secretário de Estado ocorreu após críticas apresentadas por representantes da Igreja Católica nos próprios Estados Unidos.

O presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, arcebispo Paul Stagg Coakley, também condenou o anúncio do Departamento de Defesa.

A execução de Nidal Malik Hasan está prevista para 3 de dezembro e deverá ser realizada por um pelotão de fuzilamento.

O governo americano anunciou que pretende permitir que a população acompanhe o procedimento, embora ainda não tenha esclarecido como a transmissão será realizada.

A iniciativa provocou questionamentos sobre os limites da aplicação da pena de morte e sobre as consequências de transformar uma execução em um evento público.

Quem é Nidal Malik Hasan?

Nidal Malik Hasan é um ex-major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos condenado por um ataque ocorrido em 5 de novembro de 2009, na base militar de Fort Hood, no Texas.

Na ocasião, ele abriu fogo contra militares e funcionários que estavam em uma instalação de processamento de soldados.

O ataque provocou a morte de 13 pessoas e deixou outras 32 feridas.

Hasan foi julgado por um tribunal militar e condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio.

A sentença estabeleceu a aplicação da pena de morte.

O caso voltou ao centro do debate público após o governo americano anunciar que pretende executar o ex-militar por fuzilamento.

Trump defende execução de ex-militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio à execução de Hasan.

Durante uma celebração do Dia de Colombo na Casa Branca, o republicano afirmou que o ex-militar merece receber a pena de morte por fuzilamento.

A posição do presidente acompanha a decisão anunciada pelo Departamento de Defesa de realizar a execução em dezembro.

O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, já havia defendido que o procedimento fosse público para demonstrar as consequências de crimes considerados extremamente graves.

Até o momento das informações divulgadas, o Pentágono não havia detalhado se a transmissão ocorreria pela televisão, pela internet ou por outros meios.

Execução amplia debate internacional sobre direitos humanos

A possibilidade de transmissão pública também provocou críticas de organismos internacionais.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos já havia manifestado preocupação com a iniciativa, argumentando que a exposição de uma execução ao público viola princípios fundamentais de proteção contra tratamentos cruéis e degradantes.

A reação do Vaticano amplia a pressão sobre a decisão americana e reforça o debate sobre a pena de morte.

Para a Igreja Católica, a responsabilização por crimes graves deve ocorrer sem a eliminação da vida do condenado.

A execução de Nidal Malik Hasan permanece prevista para 3 de dezembro, enquanto autoridades religiosas e organismos internacionais questionam a decisão do governo dos Estados Unidos.

Da IstoÉ


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