VATICANO, 5 MAR (ANSA) – A busca pelo corpo perfeito, impulsionada por avanços em farmacologia, cirurgias estéticas e biotecnologia, tornou-se uma preocupação crescente para a Igreja Católica.
Em um documento aprovado pelo papa Leão XIV e divulgado na última quarta-feira (4), a Comissão Teológica Internacional chamou atenção para os riscos de reduzir o corpo humano a mero “objeto de aprimoramento”.
“As pessoas desejam um corpo perfeito, enquanto sonham em escapar de seus próprios corpos físicos e suas limitações”, afirma o texto.
O documento reconhece os benefícios claros da ciência, como prevenção de doenças, diagnóstico precoce e tratamentos eficazes, com o desenvolvimento da biotecnologia, neurociência, mapeamento de DNA, farmacologia e robótica.
No entanto, alerta que a obsessão por um corpo ideal – jovem, em forma e sem sinais de envelhecimento – pode gerar um “culto ao corpo” generalizado.
Os teólogos enfatizam que não se pode ignorar tendências que reduzem o corpo a um material biológico a ser aprimorado, transformado e remodelado à vontade, em busca de condições de vida que evitem dor, envelhecimento e morte.
“O avanço da cirurgia estética, combinado com tratamentos hormonais ou substâncias que melhoram emoções e concentração, oferece ferramentas capazes de alterar profundamente a relação com o próprio corpo e, consequentemente, com a realidade e com os outros, especialmente no Ocidente”, destacam.
O documento reforça ainda a importância de aceitar o corpo e a sexualidade como dádivas, e não como prisões ou algo a ser modificado artificialmente. “O futuro da humanidade não está na tecnologia, mas nos relacionamentos”, afirma o texto.
Além disso, os religiosos alertam sobre os perigos de depender da inteligência artificial para decisões sensíveis, incluindo questões militares, e enfatizam que o verdadeiro progresso humano está em fortalecer vínculos familiares e sociais.
Segundo o Vaticano, os avanços científicos devem ser acompanhados com ética, para que sirvam ao bem-estar das pessoas sem reduzir a vida humana à busca pelo “super-homem” ou pela perfeição física.
“O que a família humana precisa, e dentro dela cada pessoa que busca sua verdadeira identidade, não é um salto evolutivo além da condição atual, mas sim um relacionamento salvador”, conclui o documento. (ANSA).