Vamos falar sério sobre racismo; sem firulas ou papas na língua

Vamos falar sério sobre racismo; sem firulas ou papas na língua

Protesto em frente a supermercado da rede Carrefour em Porto Alegre no dia 20 de novembro de 2020 - AFP

Ai, ai… lá vou eu me meter em (mais!) confusão. Mas fazer o que, né? É da minha natureza. Até porque, na boa, irritar os brucutus da internet é muito divertido. E não. Não me importo com direita, esquerda ou centro. Com bolsominions ou petralhas. Pra mim, não lê (ou não entende o que lê), não pensa e já sai zurrando como burro com cólica, basta para ser um brucutu. Um comedor de feno que cospe ofensas. Leitores de manchetes, então, são um prato cheio (de excrementos) para diversão. Mas vamos ao que interessa.

Em primeiro lugar, não existe divisão na espécie humana. Somos uma única raça, e quem diz isso é a ciência e um troço chamado DNA. Cor de pele e outras características não definem raça. Repito: só existe uma raça, a humana, e pronto! Raça serve para cachorros, cavalos e outras espécies animais. Essas, sim, possuem códigos genéticos diferentes. Por isso, o termo racismo, a meu ver, é errado e inapropriado. Assim como a definição “negro”. A cor é preta. Não existe cor negra. E o termo “negro” vem do pejorativo “nigger”, em inglês.

Dito isso, passo a comentar o lamentável e indecente crime de morte ocorrido em um supermercado, ontem, em Porto Alegre, quando dois animais assassinaram, a socos e pontapés, um homem de 40 anos, durante uma briga. Hoje, todos os jornais e portais de internet, em busca da odiosa lacração que só divide e nada agrega de valor, já declararam a tragédia como sendo um episódio de racismo. Por quê? Porque a vítima era um preto e os agressores, brancos. Ah, a briga começou com uma idiota troca de ofensas.

Para ajudar a pôr lenha na fogueira, o vice-presidente, General Mourão, declarou que não existe racismo no Brasil. E tendo a concordar com ele. Uma coisa é o brutal preconceito contra pretos, que existe, sim, e muito. Uma coisa é a brutal desigualdade social, oriunda lá da escravidão, que segrega, até hoje, os pretos em classes pobres. Uma coisa é a asquerosa aversão – ok, para simplificar, de cunho racial – que alguns têm por pessoas pretas. Outra, bem diferente, é misturar tudo e dizer que há “racismo” no Brasil. Sinceramente, não creio.

Jamais vi, ou tive notícia, de pretos sendo espancados nas ruas porque… pretos! Com gays, por exemplo, já ocorreram dezenas de casos. Também nunca vi nem tive notícia de grupos ostentando símbolos racistas contra os pretos, a exemplo do odiento Ku Klux Klan ou aqueles supremacistas brancos ordinários dos EUA e Europa. Com judeus, isso ocorre a todo instante. Por aqui, não se proíbe, na lei ou na marra, que pretos frequentem algum lugar. Insisto: o que há – e muito! – no Brasil, e é tão nojento quanto racismo, chama-se preconceito.

Voltando à briga, ou melhor, ao assassinato, consta que a vítima insultou, com palavras e gestos obscenos, os seguranças do supermercado. Se o homem fosse branco não haveria briga? Se fosse pardo, os selvagens parariam de bater nele? Se fosse asiático iriam todos conversar e resolver no diálogo? Ora, o brasileiro médio, meus caros, infelizmente, ao contrário do que reza a lenda, de amistoso não tem nada. É violento, intolerante e pouco afeito à civilidade. Corram os olhos pelos comentários de internet; só ofensas gratuitas.

Os brasileiros se matam à razão de 60 mil, anualmente. Espancam-se nas portas e arquibancadas dos estádios de futebol. Saem no braço em brigas estúpidas de trânsito. Bêbados, em bares, quebram tudo e quebram-se todos. Não há nada de racismo nessa violência toda. Há, sim, um povo inclinado à brutalidade e falta de urbanidade. Por isso, quando episódios como este, do supermercado, ocorrem, não se deve procurar a manchete fácil nem a tese separatista. Isso só promove aquilo que não existe, e que muitos desejam.

Políticos, principalmente os de esquerda, aproveitam qualquer mísera oportunidade destas para se promoverem e promoverem a cisão. Vivem disso! Quantos deputados e vereadores não ganham a vida, há anos, explorando bandeiras assim? Vejam, o cada vez mais pré-candidato à presidência da República, em 2022, Luciano Huck: já correu para as redes sociais para combater o racismo. Do lado oposto, trogloditas de direita correm para contrapor a tese, mas não com argumentos, como faço agora, apenas com agressões estúpidas.

É mais que urgente o recrudescimento severo de leis que combatam o preconceito. Qualquer que seja! Contra pretos, pobres, homossexuais, orientais, judeus, muçulmanos… Mas o Brasil não pode cair na esparrela do falso debate, da lacração fácil, sob pena de, aí, sim, um dia, acordarmos o monstro da cisão “racial”. Lembremos que 60% da população brasileira se declara não-branca. Pretos, declarados, são menos que 10%. Um país tão miscigenado assim não merece ser dividido por aproveitadores do caos.

Meus mais profundos e sinceros sentimentos à família do homem que morreu; meus mais profundos e sinceros desejos de punição rápida, severa e exemplar aos assassinos; e meus mais profundos e sinceros votos de bom senso à sociedade brasileira, principalmente aos tais formadores de opinião. Por favor, não compliquem ainda mais o que já é – e está – extremamente complicado. Nossa fase não é nada boa. Não deem milho aos pombos às bestas-feras à solta. Sobretudo em tempos de Jair Bolsonaro.

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