Edição nº2552 15/11 Ver edições anteriores

Vamos falar de suicídio?

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Nesta semana, o laboratório farmacêutico Pfizer lançou a ação digital #SAIADASOMBRA#, com o apoio do Centro de Valorização da Vida. No CVV, o atendimento é por telefone (188), chat, e-mail ou pelo site www.cvv.org.br. O objetivo da campanha é contribuir fornecendo dados e orientações a respeito do tema, infelizmente ainda um tabu. A ação estará nas redes sociais a partir do dia 1 de setembro. Abaixo, informações divulgadas em seu lançamento, na quarta-feira 22.

– Desde 2012, a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10%, segundo a edição de 2017 do Mapa da Violência, um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Globalmente, o problema já representa a segunda principal causa de mortes em jovens dessa faixa etária, de acordo com a OMS.

– Pessoas que cometem suicídio frequentemente dão ampla indicação de sua intenção, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). E, muitas vezes, chegam a procurar ajuda antes desse desfecho. Cerca de 1 a cada 5 pacientes que tentaram o suicídio passaram por uma consulta médica um mês antes do episódio, de acordo com um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) a partir de 80 indivíduos atendidos em um pronto-socorro de Embu das Artes, na Grande São Paulo.

– Por outro lado, grande parte desses pacientes não chega aos serviços médicos por meio do psiquiatra. O processo de identificação das pessoas sob risco de suicídio ainda é um grande desafio para os profissionais da atenção primária. “Considerando a relação entre os transtornos mentais e o suicídio, em especial a depressão, o diagnóstico precoce dessas doenças deve ser a prioridade. Estamos falando de enfermidades para as quais existe tratamento, o que significa que o suicídio, em grande parte, pode ser prevenido a partir da adoção de medidas adequadas”, afirma o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia.

– Em alguns grupos específicos, como é o caso dos adolescentes, a identificação de pacientes sob risco de suicídio pode ser ainda mais desafiadora. “Muitas vezes, características que poderiam sugerir quadros depressivos e um risco aumentado para o suicídio são confundidas com estereótipos associados a uma determinada faixa etária, como a ideia de que adolescentes são sempre mais explosivos ou distantes da família que pessoas de outras idades”, completa o médico.

COMO AJUDAR?

– A literatura médica recomenda fortemente que os profissionais de saúde falem sobre suicídio com pacientes sob risco e alguns trabalhos sugerem, inclusive, as melhores estratégias e questionamentos para abordar o assunto. “Perguntas mais genéricas sobre as perspectivas de vida e os planos desse indivíduo para o futuro podem ajudar a introduzir a temática com leveza, mas é importante que se fale abertamente sobre aspectos mais específicos, como tentativas anteriores de suicídio ou acesso a ferramentas letais, tais como armas de fogo, venenos e remédios. Dessa forma, o médico pode fazer o encaminhamento adequado”, destaca Correia.

– Se de um lado o trabalho educativo com os profissionais de saúde se mostra uma ferramenta essencial entre as estratégias de prevenção do suicídio, em outra perspectiva o acolhimento por parte da rede de apoio formada por amigos e familiares também adquire grande importância. É essencial ouvir o indivíduo com calma e empatia, sem julgamentos, demonstrando cuidado e afeição. Já se sabe que falar e perguntar sobre o suicídio não vai induzir a pessoa ao ato. Ao contrário: é a solidão que pode potencializar o risco nesses casos.

MITOS E VERDADES SOBRE SUICÍDIO

1) Quando uma pessoa que se sentia deprimida e falava em suicídio apresenta uma grande melhora, significa que acabou o risco de suicídio?
Mito. Muitos casos ocorrem em períodos de melhora, quando a pessoa recupera parte de sua energia e vitalidade e sente-se em condições de transformar pensamentos desesperados em ações autodestrutivas.

2) Quanto menor o grau de instrução, maior o risco de suicídio?
Verdade. A taxa de suicídios entre a população que apresenta até três anos de estudo é de 6,8 casos a cada 100 mil pessoas, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Por outro lado, entre aqueles com mais de 12 anos de escolaridade, a taxa cai para 3,4 casos a cada 100 mil indivíduos. Moradores de rua, índios, presidiários e pequenos agricultores apresentam um risco até 7 vezes maior de suicídio em comparação à média da população.

3) Pacientes que falam sobre a possibilidade de suicídio raramente o cometem de fato.
Mito. Essa crença é bastante difundida, mas grande parte dos pacientes que cometem suicídio costumam dar algum aviso prévio ou pista antes desse desfecho2. Muitos, inclusive, já passaram por tentativas anteriores.

4) Quando a pessoa decide cometer suicídio, nada a fará mudar de ideia.
Mito. Na verdade, a maioria desses pacientes apresenta sentimentos ambivalentes, ou seja, existe uma batalha entre o desejo de viver e o desejo de morrer. A maioria dos casos está relacionada a transtornos mentais, que podem e devem ser tratados, reduzindo o risco para tais pacientes.

5) Muitas pessoas deixam de procurar tratamento porque sentem vergonha e preferem esconder a depressão de amigos e familiares.
Verdade. A depressão ainda é percebida como um sinal de fraqueza pela sociedade, o que faz com que o paciente fique constrangido em assumir a doença e retarde a busca por tratamento.

6) Pacientes crônicos apresentam taxas mais elevadas de suicídio.
Verdade. Algumas doenças estão associadas a uma da taxa de suicídio mais alta, especialmente aquelas degenerativas, terminais ou que acarretam limitações ao paciente. Algumas dessas enfermidades são: câncer, aids, esclerose múltipla, epilepsia, Parkinson e problemas cardiovasculares, entre eles enfarte e acidente vascular cerebral (AVC), além das enfermidades reumatológicas.

7) Alguns padrões de comportamento ou situações podem sugerir que um indivíduo está sob risco de suicídio?
Verdade. Sim. Além do abuso de álcool e de outras substâncias psicoativas, há sinais que merecem atenção, entre eles: mudanças bruscas de personalidade, irritação extrema, pessimismo, apatia, alterações de hábitos alimentares e de sono, histórico familiar de suicídio, presença de transtornos psiquiátricos, perda recente importante (morte, divórcio ou desemprego, por exemplo), sentimentos de solidão, impotência e desesperança, bem como comentários autodepreciativos frequentes ou sobre morte, além de comportamentos autodestrutivos.

8) Uma vez suicida, sempre suicida.
Mito. Ideações suicidas podem ou não retornar após um primeiro episódio. Mas a intervenção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para promover o resgate da qualidade de vida e da funcionalidade desse paciente. Estratégias combinadas, que aliam o tratamento psicológico ao medicamentoso, costumam obter os melhores resultados.

9) O suicídio é uma expressão da vontade e está ligado ao livre-arbítrio?
Mito. Muitos acreditam que o suicídio é resultado de uma escolha livre, como um exercício de liberdade em optar pela vida ou pela morte. Mas quase todos os casos estão associados a transtornos mentais. São doenças que, na verdade, acabam por alterar a percepção de realidade do paciente. Dados da OMS mostram, por exemplo, que em apenas 3,2% dos casos não foi possível identificar um diagnóstico preciso entre as vítimas. Nesse contexto, a necessidade de tratamento adequado para essas patologias, combinando acompanhamento psicológico e o emprego das medicações indicadas, assume grande importância.

10) O risco de suicídio é maior em grandes cidades
Mito. Na verdade, os dados brasileiros apontam que três das cinco cidades que apresentam as maiores taxas de suicídio do País são bastante pequenas, com menos de 40 mil habitantes: São Gabriel da Cachoeira (AM), Três Passos (RS) e Três de Maio (RS).


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