Valter Lavitola, empresário e jornalista italiano, confessou nesta quarta-feira (12) em Roma ser o mandante do atentado a bomba contra a residência do jornalista investigativo Sigfrido Ranucci, da TV estatal Rai. O ataque, ocorrido na noite de 16 de outubro, visava a casa de Ranucci nos arredores da capital italiana, destruindo veículos e causando grande repercussão no país. Lavitola afirmou ter agido para reforçar a segurança de Ranucci, mas a promotoria suspeita de outros motivos, ligando o incidente a uma suposta tentativa de impulsionar a carreira política do jornalista.
- Valter Lavitola, empresário e jornalista, admitiu ter ordenado um atentado a bomba contra a casa do jornalista Sigfrido Ranucci.
- O acusado alega que a intenção era proteger Ranucci, reforçando sua escolta policial devido a ameaças de máfia.
- Promotores, contudo, apontam que Lavitola visava impulsionar a popularidade de Ranucci para uma entrada na política, da qual ele esperava tirar proveito.
A confissão de Lavitola foi feita aos promotores em Roma, onde ele foi detido na última segunda-feira (10) sob acusação de ser o mandante do crime. Em sua defesa, o empresário argumentou que sua motivação era o bem-estar de Ranucci, que seria alvo de ataques da máfia, justificando a ação como uma forma de garantir o reforço da escolta policial do jornalista.
“Ele fez isso para o bem de Ranucci, pois ele era alvo de ataques”, confirmou seu advogado, Sergio Cola. No entanto, essa versão é questionada pela promotoria. As investigações indicam que Lavitola teria arquitetado o atentado com o objetivo de “impulsionar a popularidade” de Sigfrido Ranucci, visando uma possível entrada do jornalista na política italiana.
Qual a motivação real do atentado?
De acordo com os promotores, Lavitola esperava tirar proveito de uma ascensão política de Ranucci. Uma mensagem de chat enviada pelo acusado à vítima, que dizia “Você será primeiro-ministro em dois anos”, corrobora essa linha de investigação, sugerindo uma relação de interesse e manipulação.
Paralelamente, a Justiça italiana iniciou os trâmites para extraditar Gomes Clesio Tavares, um camaronês que se encontra foragido e é considerado o homem de confiança de Lavitola. Os investigadores apontam que Tavares atuou como intermediário entre Lavitola e os quatro autores materiais da explosão, que já estão detidos desde o fim de junho.
Repercussão e desdobramentos do caso
A explosão na noite de 16 de outubro, que danificou o carro de Ranucci e o de sua filha, estacionados em frente à sua casa, provocou uma onda de consternação em toda a Itália. Apesar de ninguém ter ficado ferido, o ataque gerou manifestações de solidariedade da classe política e protestos da sociedade civil, evidenciando a gravidade do ocorrido e a importância da proteção aos jornalistas investigativos no país.
A investigação prossegue para esclarecer todos os detalhes e motivações por trás do atentado, com o objetivo de garantir a responsabilização de todos os envolvidos neste grave episódio contra a liberdade de imprensa e a segurança individual.
Da IstoÉ com ANSA